Destaques

Manchetes dos principais jornais do dia 06 de fevereiro

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Estado de S. Paulo

Petistas querem Kassab para ter voto estratégico

Líderes do PT veem em uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) a oportunidade para romper o “teto” de votos do partido na capital paulista, estimado pelos próprios petistas em 30%, e quebrar a histórica resistência à legenda em uma área que ocupa metade do mapa da cidade, onde vivem 44% dos eleitores.

Os bairros dessa área demarcam as zonas eleitorais onde o PT teve votação de 30% ou menos, em média, nas cinco eleições realizadas desde 2002. Eles formam uma mancha que parte da região central e chega a pontos extremos das zonas oeste e norte, mas não adentra a periferia do leste e do sul.

Essa área do mapa é a responsável pelo fato de todos os candidatos do PT à Presidência, ao governo e à Prefeitura terem sido derrotados na maior cidade do País nos últimos dez anos. Foi nesse enclave que Kassab colheu seus melhores resultados na última eleição, quando derrotou a petista Marta Suplicy.

Para agradar petistas, prefeito até negocia vaga no Tribunal de Contas

Após doar um terreno no centro de São Paulo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (PSD), fez outro aceno em favor das alianças na eleição municipal deste ano: indicará o presidente do PR paulistano, o vereador Antonio Carlos Rodrigues, para uma cadeira no Tribunal de Contas do Município (TCM).

A nomeação de Rodrigues é bem vista por petistas que querem que o PSD indique o vice de Fernando Haddad (PT) na eleição para a Prefeitura paulistana. Porém ela também atende a interesses diretos de Kassab, que contaria com um conselheiro aliado no momento da análise das contas de sua gestão.

O PT tenta atrair o PR para a coligação e um dos atrativos era a cadeira no Senado de Marta Suplicy (PT) – Rodrigues é o primeiro suplente da ex-prefeita.

Insatisfeita, Dilma cogita ‘donzela da torre’ para ministério das Mulheres

A presidente Dilma Rousseff deverá mudar, ainda esta semana, o comando da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A alteração é tida como certa, pois a titular da Iriny Lopes é pré-candidata à prefeitura de Vitória (ES). Sua saída, no entanto, mostrou-se conveniente ao governo. Fontes no Planalto sinalizam a insatisfação da presidente em relação à pasta – que, na avaliação de Dilma, ainda não conseguiu “acertar o tom” em um governo que, desde o início, pretendeu ter na afirmação feminina na política uma de suas marcas.

Não por acaso, Dilma tocou no tema tanto no discurso de posse como no proferido na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e priorizou nomes femininos na composição do ministério e em sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das favoritas para substituir Iriny é a socióloga, professora titular de saúde coletiva e pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Eleonora Menicucci de Oliveira. Mineira, de 66 anos, mãe de dois filhos e avó de três netos, ela é doutora em ciência política pela Universidade de São Paulo e fez pós-doutorado na Universidade de Milão na área de saúde e trabalho das mulheres.

Rendimento de outros Estados sobe e se aproxima do paulista

A diferença entre o rendimento médio real dos trabalhadores da Região Metropolitana de São Paulo ante o resto do País está menor. De 2003 a 2011, o salário dos paulistanos teve alta de 13,8% e foi o que menos cresceu entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE – quase nove pontos porcentuais inferior à total do País. Desde 2003, quando foi implementada a nova metodologia da Pesquisa Mensal de Emprego, o rendimento médio que mais cresceu foi o da Região Metropolitana do Rio (33,8%), seguida pelas de Belo Horizonte (32,1%) e de Salvador (30,9%). “É possível dizer que as demais regiões estão convergindo para onde está São Paulo”, diz Regina Madalozzo, professora de economia do Instituto de Pesquisa e Ensino.

Veto na ONU sobre Síria foi ‘aberração’ diz Hillary

O veto da Rússia e da China a uma resolução contra o regime sírio no Conselho de Segurança da ONU, no sábado, irritou os EUA, seus aliados europeus, nações do Golfo do Pérsico e a Turquia. Esse bloco já busca alternativas para conter a repressão das forças de Bashar Assad aos opositores, no que está se transformando em guerra civil. “O que aconteceu na ONU foi uma aberração”, disse a secretária dos EUA, Hillary Clinton.

Greve da PM adia volta às aulas na Bahia

Com a greve da Polícia Militar, o sindicato das escolas particulares da Bahia recomendou o adiantamento de volta às aulas marcada para hoje. Apesar da presença de mais de 1,5 mil militares e integrantes da Força Nacional de Segurança, houve 18 assassinatos entre 19h de sábado e 7h de ontem na Região Metropolitana de Salvador.

Em alto-mar

Com a exploração do pré-sal virando realidade, cresce disputa por lugar entre os fornecedores.

O Globo

Estacionar fica até 300% mais caro no Rio

Os preços cobrados nos estacionamentos privados no Rio explodiram, com aumentos de até 300% na hora adicional, sem qualquer regra ou fiscalização. Uma parada de meia hora, por exemplo, varia 600%, podendo custar de R$ 2, no Shopping Leblon, a R$ 14, no prédio do Instituto Brasileiro de Oftalmologia, em Botafogo. A hora adicional no shopping RioSul, que custava R$ 1, passou para R$ 4. A consultora jurídica do Procon-RJ Maria Rachel Coelho diz que a entidade está “engessada” desde abril, quando o Órgão Especial do TJ considerou inconstitucional a lei que há um ano proibiu a cobrança por tempo mínimo de permanência.

Aumenta a tensão em Salvador

Salvador vive um cenário de confronto iminente entre tropas do Exército, junto com agentes da Polícia Federal, e PMS em greve há seis dias. O presidente da Assembléia Legislativa, onde os grevistas estão acampados, pediu ao Exército a desocupação imediata do local, e um comando tático da PF chegou à capital baiana para prender 11 PMs com mandados e prisão expedidos.

Dificuldades após leilão de aeroportos

Presidente da Odebrecht Infraestrutura, que disputa o leilão de aeroportos, Benedicto Junior diz que o setor privado terá dificuldades com as autarquias. Mas acredita no pragmatismo do governo.

Paraty teve mais 2 barcos assaltados

Os ataques, também violentos, ocorreram na virada do ano, mas as vítimas não registraram queixa por temer represálias. Empresários da região pediram ao estado rigor nas investigações.

Educação

Atraídas pelo mercado brasileiro, universidades estrangeiras firmam parcerias com escolas de negócios do Brasil.

Correio Braziliense

Falta remédio para doentes de chagas

Durante sete meses, entre abril e outubro de 2011, o laboratório brasileiro deixou de fabricar o benznidazol, fórmula usada no tratamento da doença em fase crônica e aguda. Apesar de o Ministério da Saúde garantir que “não há registro de falta localizada” do remédio, até hoje o abastecimento não foi de todo regularizado. Em Posse (GO), por exemplo, o posto de saúde não tem recebido o medicamento, como revela a série de reportagens que o Correio publica nesta semana.

Cinco candidatos a chefe de polícia

Mais dois delegados estão cotados para o cargo, além dos incluídos na lista tríplice apresentada pela categoria, que teme novas mudanças radicais nas chefias. Nome do diretor da Polícia Civil deverá ser anunciado até amanhã.

Tablets vão à sala de aula

Alunos de três colégios de Brasília começaram o ano letivo com os aparelhos como material didático obrigatório. Pais, professores e especialistas, no entanto, ainda têm dúvidas quanto à eficácia pedagógica da ferramenta.

Aposentadoria: a bomba-relógio do sistema previdenciário

Apesar do aumento no número de empregos formais, o rombo no INSS vai ficar cada vez maior, por causa do envelhecimento da população e dos projetos de justiça social.

 

Aerus e direitos humanos

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Prezado senador Paulo Paim,

Concordando com suas observações em artigo publicado pelo jornal Zero Hora, agradeço por mencionar o caso dos aposentados do Aerus. De fato, não só os ex trabalhadores da Varig, mas também a maioria dos aposentados, somos tratados e retratados como palhaços, mas a culpa não é dos cartunistas. 

De quem será então?

 Ao falar em direitos humanos em Cuba (numa parte em que, com todo o respeito, discordo do seu artigo no ZH), a presidente falou no “plano geral, aspecto universal” dos direitos humanos ou sei lá que em categoria de pensamento isto esteja incluído. Para quem é razoavelmente esclarecido, (ser capaz de) ver o geral no particular, ver o galho e perceber a floresta, é uma das qualidades essenciais. Não esqueçamos que ela também disse que nós brasileiros também temos telhado de vidro, admitindo assim a não imunidade do país ás violações de direitos humanos.

 Não seria o caso então, em sendo a presidente incisiva no aspecto geral dos direitos humanos e sendo realista em admitir que temos nosso“telhado de vidro”, estar vendo neste particular, o aspecto geral, universaldos problemas de direitos humanos? E assim ao dominar o conceito, não seria possível também, de maneira oposta, visualizar a partir do plano geral, o detalhe, o particular que permite abrir os caminhos do pensamento conduzindo ao entendimento integral das coisas?

 Acredito que a presidente pense assim, pois é requerido por sua função.

 Ora senador, nós, ex trabalhadores da Varig e aposentados do Aerus, somos uma sofrida parte desse “telhado de vidro” que ninguém, mesmo sabendo de sua existência e quanto nos é doloroso, mesmo tendo poder e conhecimento dos fatos, quer resolver. Aliás, este problema do Aerus e dos demitidos da Varig ter, para sua solução, chegado ao nível do executivo, é uma dessas vergonhas alheias com que temos de nos acomodar.

 Mas o grande paradoxo deste país e seus governantes é que reconhecer a existência de problemas, não leva necessariamente a medidas eficazes para suas soluções. E todos sabemos que o tempo(de vida)das pessoas passa igualmente batido sobre problemas resolvidos quanto não resolvidos.

 Nós já estamos a quase seis anos sofrendo, e o senhor sabe, vendo colegas definhando e morrendo pelas mais variadas mazelas provocadas pelo fim da Varig, o calote no Aerus e sobretudo, a inoperância da justiça e a indiferença do governo.

 De minha parte, não estou mais querendo que a presidente se sensibilize com a situação dos variguianos. Estou sim, esperando que ela cumpra a lei, que reconheça que há um dramático estado de coisas, inclusive ameaçando vidas se esta questão do Aerus não se resolver no mais breve tempo.

 Grato por seu persistente apoio aos variguianos e demais aposentados.

 Atenciosamente, um aposentado ficha limpa.

 *José Carlos Bolognese
Comissário de Voo aposentado
Varig/Aerus

Top 5: arrependimentos de quem está morrendo

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Uma enfermeira registrou os arrependimentos mais comuns das pessoas que estão morrendo, e entre os primeiros está “eu queria não ter trabalhado tanto”. Qual seria o seu maior arrependimento se este fosse o seu último dia de vida?

Não houve menções a mais sexo ou bungee jumps. Uma enfermeira que aconselhou pessoas que estavam morrendo nos seus últimos dias revelou os arrependimentos mais comuns que temos no final de nossas vidas. Entre os primeiros, dos homens em particular, está “eu queria não ter trabalhado tanto”.
 
Bronnie Ware é uma enfermeira australiana que passou muitos anos trabalhando em cuidado paliativo, tratando pacientes nas últimas 12 semanas de suas vidas. Ela registrou as epifanias das pessoas que estavam morrendo em um blog chamado Inspiração e Chai, que chamou tanta atenção que ela colocou suas observações em um livro chamado “Os 5 maiores arrependimentos de quem está morrendo”.
 
Ware escreve sobre a fenomenal claridade de visão que as pessoas ganham no final de suas vidas, e como nós podemos aprender a partir da sabedoria delas. “Quando questionadas sobre algum arrependimento que tinham ou algo que teriam feito diferente, ela diz, temas comuns apareciam repetidamente”.
 Aqui estão os 5 maiores arrependimentos de quem está morrendo, como testemunhado por Ware:
 
1. Eu queria ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim, não a vida que outros esperavam de mim.

“Esse era o arrependimento de todos. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás com consciência disso, é fácil enxergar quantos sonhos se foram sem ter sido realizados. A maioria das pessoas não tinham realizado nem a metade dos seus sonhos e tinham que morrer sabendo que isso foi por causa das escolhas que eles fizeram, ou que não fizeram. Saúde traz uma liberdade que muito poucos percebem, até a tenham perdido”.
 
2. Eu queria não ter trabalhado tanto.
 
“Isso veio de cada paciente homem dos quais eu tratei. Eles sentiam falta da juventude de seus filhos e do companheirismo de suas parceiras. Mulheres também citaram esse arrependimento, mas a maioria era de uma geração mais antiga, muitas das pacientes mulheres não haviam trabalhado. Todos os homens dos quais eu cuidei se arrependiam profundamente de terem passado boa parte de suas vidas na esteira da existência trabalhista”.
 
3. Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos.
 
Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para manter a paz com outras pessoas. Como resultado elas se acomodaram por uma existência medíocre e nunca se tornaram quem elas eram verdadeiramente capazes de se tornarem. Muitas desenvolveram doenças relativas à amargura e ressentimento que carregaram como resultado”.
 
4. Eu queria ter mantido contato com meus amigos.
 
“Frequentemente eles não percebiam os benefícios de antigos amigos até suas últimas semanas e nem sempre era possível rastreá-los. Muitos ficaram tão presos às suas próprias vidas que deixaram amizades de ouro escapulirem com o passar dos anos. Houve muitos arrependimentos profundos sobre não ter dado à algumas amizades o tempo e o esforço que elas mereciam. Todos sem falta dos amigos quando estão morrendo.”
 
5. Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz.
 
“Esse é um surpreendentemente comum. Muitos não perceberam até o final que a felicidade é uma escolha. Eles ficaram presos em velhos padrões e hábitos. O assim chamado ‘conforto’ da familiaridade transbordou em suas emoções, assim como em suas vidas físicas. Medo de mudanças os fizeram fingir para outros, e para si mesmos, que estavam contentes, quando no fundo, eles ansiavam por rir devidamente e ter bobeiras em suas vidas de novo”.
 
Qual é o seu maior arrependimento até então, e o que você estabelecerá atingir ou mudar antes de morrer?

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

 

Oferta inicial do Facebook pode chegar a US$ 100 bilhões

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Dinheiro ajudará a expandir a maior rede social do planeta, mas problemas com a lei podem dar início a um novo capítulo na história do Facebook.

Tudo começou como uma brincadeira. Mark Zuckerberg colocou fotos de suas colegas online, e deixou que os internautas comentassem sobre quem era a mais bonita. Oito anos depois, o Facebook é uma das maiores empresas do mundo. No dia 1º de fevereiro, a rede social anunciou planos de uma oferta pública inicial que poderia atingir valores entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões. Nesse cenário extraordinário, investidores acreditam que uma empresa comandada por um arrogante jovem de 27 anos é mais valiosa que a Boeing, a maior fabricante de aviões do planeta. Eles estão loucos?
 
Leia também: Facebook quer fazer a maior IPO pontocom
 Leia também: Facebook ultrapassa o Orkut em visitantes
 
Não necessariamente. O Facebook pode, em breve, chegar a um bilhão de usuários, o que significaria uma em cada sete pessoas do planeta. No ano passado, a empresa gerou US$ 3,7 bilhões em receitas e US$ 1 bilhão em lucros líquidos. Isso está longe de ser um motivo para justificar os valores da oferta pública inicial, mas há razões para apostar que o Facebook irá justificar tamanho interesse, já que ele encontrou uma nova maneira de cultivar um instinto pré-histórico. As pessoas adoram socializar, e o Facebook facilita esse processo. Os tímidos se tornam mais desinibidos online, e os jovens e ocupados veem o Facebook como uma maneira eficiente de manter contato com as pessoas. Você pode acessá-lo pelo laptop ou por um smartphone, deitado na cama, esperando um ônibus, ou fingindo trabalhar. Você pode procurar velhos amigos ou fazer novos, compartilhar fotografias, marcar festas e trocar opiniões sobre o mais recente filme do George Clooney.
 
Quanto mais pessoas se juntam ao Facebook, maior passa a ser o seu apelo. Aqueles que entraram para a rede social (que é gratuita) têm acesso a um amplo círculo social. Aqueles que não estão no Facebook se sentem excluídos. Esse poderoso ciclo de feedback já fez do Facebook a maior rede social em muitos países, responsável por um em cada sete minutos que a população mundial gasta na internet ao redor do planeta. Seu crescimento pode estar diminuindo em alguns países ricos, e o Facebook está bloqueado na China. Mas ele continua crescendo de maneira impressionante em mercados emergentes como o Brasil e a Índia.
 
Facebook é o favorito dos comerciantes online
 
US$ 100 bilhões estão longe de ser uma pechincha, mas outras gigantes da tecnologia são mais valiosas: a capitalização de mercado do Google é de US$ 190 bilhões, a da Microsoft, de US$ 250 bilhões, e a da Apple, de US$ 425 bilhões. E as possibilidades comerciais são imensas, por três razões.
 
Em primeiro lugar, o Facebook tem um enorme conhecimento sobre seus usuários e está constantemente criando maneiras de saber mais, como a Timeline, uma nova página de perfil que encoraja os usuários a criar um arquivo online de suas vidas. A companhia explora os dados de seus usuários para descobrir o que eles gostam, e então os empurra uma série de propagandas cuidadosamente escolhidas. No ano passado, o Facebook ultrapassou o Yahoo!, se tornando o maior vendedor de anúncios online nos Estados Unidos.
 
Além disso, o Facebook é a plataforma mais poderosa para o marketing social. Poucas tentativas de venda são tão persuasivas quanto a recomendação de um amigo, logo as bilhões de interações no Facebook agora influenciam tudo, desde a música que as pessoas compram até os políticos nos quais elas votam. As empresas, assim como os adolescentes, estão descobrindo que se não estão no Facebook, estão fora do mercado. O comércio social (ou “s-commerce”) ainda está engatinhando, mas um estudo da Booz & Company afirma que vendas desse tipo totalizaram US$ 5 bilhões no ano passado.
 
Por fim, o Facebook está se tornando o verdadeiro passaporte online. Como muitas pessoas têm contas no Facebook usando seus nomes verdadeiros, outras empresas passaram a usar o login do Facebook como uma forma de identificar as pessoas online, e a rede social chegou até mesmo a criar uma moeda virtual, o Facebook Credit.
 
Nem tudo é tranquilidade nos escritórios do Facebook
 
O cenário seria capaz de criar um excesso de confiança arrogante. Mas também há duas razões para preocupação. A primeira é o desafio de deixar de ser uma start-up e tornar-se uma empresa gigante. O Facebook tem apenas 3.200 empregados, muitos dos quais se tornarão milionários. A ideia de ter que motivar empregados VIPs pode ser a explicação para a decisão de Zuckerberg de adiar essa transição por tanto tempo. Com os bilhões de dólares que a oferta pública trará, a empresa terá aumentos nas equipes e nos serviços. Depois de ter criado um serviço de email e persuadido milhões de outros sites a adicionar botões e links que permitem que usuários do Facebook compartilhem material, a empresa agora prepara um mecanismo de buscas que aumentará sua batalha com o Google, que por sua vez está incluindo informações de sua rede social, o Google+, nos seus resultados de pesquisas online.
 
O Google passou da popularidade para a rentabilidade. Apesar de todas as notícias sobre suas novas fontes de renda, o Facebook ainda é perigosamente dependente de seus anúncios. E há uma tensão entre a tarefa de atrair usuários e a de tirar dinheiro deles. O maior bem do Facebook são as informações que seus usuários consensualmente entregam a ele. Transformar esses dados em dinheiro, no entanto, irá, inevitavelmente, gerar preocupações com a privacidade. A maioria dos usuários não percebe o quanto o Facebook sabe sobre eles, e se eles começarem a sentir que a empresa está abusando de sua confiança, vão se revoltar e abandoná-lo.
 
É aqui que os outros perigos surgem – e esses devem preocupar mais gente além dos investidores. A Comissão de Comércio Federal dos EUA já forçou o Facebook a se submeter a uma auditoria externa bienal de sua política de privacidade e procedimentos na área. Além disso, há a legislação antitruste. A tecnologia é voraz e cria competidores com uma velocidade muito maior do que qualquer outra indústria (alguém se lembra do MySpace ou do AltaVista?). Por outro lado, efeitos de rede ajudam a criar monopólios. Nenhuma outra rede social chega perto do tamanho do Facebook, e em breve a empresa será rica o suficiente para comprar suas rivais. Muitas empresas sentem que não há nenhuma opção a não ser aceitar esse cenário, e se incomodam com o tamanho da influência do Facebook.
 
Por enquanto faz sentido deixar o Facebook quieto. Seus usuários podem migrar se algo melhor aparecer, e sua guerra com o Google está apenas no começo. Se alguma das duas empresas agir de maneira predatória, ela deve ser punida. Mas assim como a Microsoft colidiu com aqueles que confiavam nela, o mesmo deverá acontecer com as novas gigantes da internet. Tudo indica que o Google será alvo dos governos europeus em breve, e o mesmo deve acontecer com o Facebook algum dia. O filme sobre o Facebook já foi feito e lançado, mas sua história está se tornando cada vez mais intrigante.

Torre do Big Ben se inclina como Pisa

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Segundo uma investigação oficial, com conclusões publicadas em 2010, a inclinação do Big Ben foi acentuada em agosto de 2003 por motivos desconhecidos, e aumenta anualmente 0,9 mm…

A torre do Big Ben vem se inclinando cada vez mais, de forma semelhante à de Pisa, mas numa escala muito menor, pelo que uma comissão parlamentar britânica decidiu nesta segunda-feira (23) encarregar-se, sem pressa, de um fenômeno atualmente visível a olho nu.

Segundo uma investigação oficial, com conclusões publicadas em 2010, a inclinação do Big Ben foi acentuada em agosto de 2003 por motivos desconhecidos, e aumenta anualmente 0,9 mm.

Um porta-voz da Câmara dos Comuns relativizou o risco e a urgência do assunto, ao informar à AFP que os deputados vão “estudar se convém pedir às autoridades que comecem a pensar em formas eventuais de renovar Westminster”.

O palácio, que possui algumas partes remontando ao século XI, abriga as duas câmaras do parlamento britânico e a torre do relógio de 96 metros de altura concluída em 1859, conhecida como a do Big Ben, mas que na realidade é o nome do maior de seus sinos, de 13 toneladas de peso.

“É o começo de um processo muito, muito longo”, uma vez que o exame preliminar pode durar entre 15 e 20 anos, precisou o porta-voz.

“Não há nenhum perigo imediato”, comentou para a BBC John Burland, especialista do Imperial College de Londres.

Ao ritmo atual, “serão necessários 10.000 anos para se chegar ao ângulo da Torre de Pisa”, acrescentou.

Segundo ele, a inclinação da torre e as rachaduras constatadas no palácio de Westminster remontam provavelmente a muitos anos, não estando diretamente ligadas às construções de um estacionamento subterrâneo de cinco andares e a uma nova linha do metrô, no final do século XX.

Opções

Os deputados encarregados da gestão patrimonial do palácio de Westminster devem examinar todas as opções, incluídas as mais radicais como a demolição, o aluguel ou a venda.

Estas últimas possibilidades “seguramente não fazem parte da reflexão oficial”, comentou um porta-voz da comissão.

Segundo o jornal Daily Telegraph, a medida de recompra interessaria a “promotores estrangeiros”, que poderiam ser russos ou chineses.

Vídeo incrível: a artista americana que pinta quadros só com beijos

domingo, 22 de janeiro de 2012

Por Rita de Souza – veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/
Sabemos sobre beijos que matam, beijos que enfeitiçam, beijos que encantam, beijos que conquistam; beijos de amor, de amizade, de paixão, de desejo; beijos de língua, estalados, na bochecha, de esquimó — uma infinitude de beijos, mas beijos que viram arte… essa é a primeira vez.

Observem a delicadeza dos traços na obra, detalhes de sombras, cílios e imaginem que este retrato de Marilyn Monroe foi feitos aos beijos, literalmente.

Esse é o trabalho de Natalie Irish, artista americana do Texas, que desde os 5 anos de idade choca e surpreende com seu trabalho. Sem usar as mãos, ela preenche o vazio das telas com retratos e autorretratos para cuja feitura utiliza apenas batom nos lábios e beijos na tela em branco.

E essa não é sua única especialidade. Trabalha com cerâmica e outras técnicas, desenvolvidas nos vários cursos que frequentou.

Assista ao vídeo, feito por Chris O’Malley.

“Gianecchini está curado”, diz amiga

domingo, 22 de janeiro de 2012

Os amigos mais íntimos de Reynaldo Gianecchini estão comemorando. Neste sábado (21) receberam a notícia de que a medula do ator “pegou”. Ou seja: o autotrasplante ao qual foi submetido no dia 12 de janeiro de 2012 foi eficaz.

“O termo correto neste caso é dizer que houve um enxertamento de medula bem sucedido. A quimioterapia em altas doses destruiu sua medula original e agora ele recebeu, no lugar dessa, uma medula preservada”, explica o médico Celso Massumoto, diretor clínico e hematologista da clínica Oncocenter, de São Paulo.

O ator, que foi diagnosticado com um linfona não-Hodgkin em agosto de 2011, passou por várias sessões de quimioterapia antes da operação. Segundo uma pessoa próxima de Gianecchini que conversou com o iG, o que “os médicos diziam era que se a medula pegasse ele estaria curado”.

Massumoto é mais cauteloso: “Ainda não se pode dizer que ele está curado, isso vai depender do funcionamento dessa medula nova”. Sobre a data em que o ator deve ter alta, ele diz que “normalmente, a partir do dia que a medula passou a funcionar, o paciente poderá sair em 10 ou 15 dias”.

Esse período de recuperação da medula exige isolamento do paciente, para evitar que ele pegue alguma infecção, já que está com o sistema imune extremamente frágil.

Ainda de acordo com a amiga de Gianecchini, “os últimos dias foram de muita ansiedade para ele e sua família”, mas agora veio a notícia de que a operação foi bem sucedida.

Fonte: votebrasil.com

Uma visão holística para sustentabilidade

domingo, 22 de janeiro de 2012

Por Leonardo Boff - congressoemfoco.com.br

Há hoje um conflito entre as várias compreensões do que seja sustentabilidade. Clássica é a definição da ONU, do relatório Brundland, (1987): “desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”. Esse conceito é correto, mas possui duas limitações: é antropocêntrico (só considera o ser humano) e nada diz sobre a comunidade de vida (outros seres vivos que também precisam da biosfera e de sustentabilidade). Tentarei uma formulação, o mais integradora possível:
 
Sustentabilidade é toda ação destinada a manter as condições energéticas, informaconais, físico-químicas que sustentam todos os seres, especialmente a Terra viva, a comunidade de vida e a vida humana, visando a sua continuidade e ainda a atender as necessidades da  geração presente e das futuras de tal forma que o capital natural seja mantido e enriquecido em sua capacidade de regeneração, reprodução, e coevolução.
 
Expliquemos, rapidamente, os termos desta visão holística:
 
Sustentar todas as condições necessárias para o surgimento  dos seres: estes só existem a partir da conjugação das energias, dos elementos físico-químicos e informacionais que, combinados entre, si dão origem a tudo.
 
Sustentar todos os seres: aqui se trata de superar radicalmente o antropocentrismo. Todos os seres constituem emergências do processo de evolução e gozam de valor intrínseco, independente do uso humano.
 
Sustentar especialmente a Terra viva: a Terra é mais que uma “coisa” (res extensa), sem inteligência ou um mero meio de produção. Ela não contém vida. Ela mesma é viva, se autoregula, se regenera e evolui. Se não garantirmos a sustentabilidade da Terra viva, chamada Gaia, tiramos a base para todas as demais formas de sustentabilidade.
 
Sustentar também a comunidade de vida: não existe, o meio ambiente, como algo secundário e periférico. Nós não existimos: coeexistimos e somos todos interdependentes. Todos os seres vivos são portadores do mesmo alfabeto genético básico. Formam a rede de vida, incluindo os microorganismos. Esta rede cria os biomas e a biodiversidade e é necessária para a subsistência de nossa vida neste planeta.
 
Sustentar a vida humana: somos um elo singular da rede da vida, o ser mais complexo de nosso sistema solar e a ponta avançada do processo evolutivo por nós conhecido, pois somos portadores de consciência, de sensibilidade e de inteligência. Sentimos que somos chamados a cuidar e guardar a Mãe Terra, garantir a continuidade da civilização e vigiar também sobre nossa capacidade destrutiva.
 
Sustentar  a continuidade do processo evolutivo: os seres são conservados e suportados pela Energia de Fundo ou a Fonte Originária de todo o Ser. O universo possui um fim em si mesmo, pelo simples fato de existir, de continuar se expandindo e se autocriando.
 
Sustentar o atendimento das necessidades humanas: fazemo-lo através do uso racional e cuidadoso dos bens e serviços que o cosmos e a Terra nos oferecem sem o que  sucumbiríamos.
 
Sustentar a nossa geração e aquelas que seguirão à nossa: a Terra é suficiente para cada geração desde que esta estabeleça uma relação de sinergia e de cooperação com  ela e distribua os bens e serviços com equidade. O uso desses bens deve se reger pela solidariedade generacional. As futuras gerações tem o direito de herdarem uma Terra e uma natureza preservadas.
 
A sustentabilidade se mede pela capacidade de conservar o capital natural, permitir que se refaça e ainda, através do gênio humano, possa ser enriquecido para as futuras gerações. Esse conceito ampliado e integrador de sustentabilidade deve servir de critério para avaliar o quanto temos progredido ou não rumo à sustentabilidade e nos deve igualmente servir de inspiração ou de idéia-geradora para realizar a sustantabilidade nos vários campos da atividade humana. Se isso a sustentabilidade é pura retórica sem consequências.

 

* Doutor em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique, nasceu em 1938. Foi um dos formuladores da “teologia da libertação”. Autor do livro Igreja: carisma e poder, de 1984, que sofreu um processo judicial no ex-Santo Oficio, em Roma, sob o cardeal Ratzinger. Participou da redação da Carta da Terra e é autor de mais de 80 livros nas várias áreas das ciências humanísticas.

Troféu algema de ouro, quem merece?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Por Altamir Tojal – opiniaoenotícia.com.br

Teve um tempo em que eu ouvia desolado o Raul Seixas cantar Ouro de Tolo:
 
“Eu devia estar feliz
 Porque consegui comprar
 Um Corcel 73…”
 
Caramba! Era o tempo do Milagre Econômico, do Brasil Potência. Eu tinha saído da cadeia e ficava perplexo com aquela maioria massacrante de apoio ao governo. A oposição, a resistência, era uma minoria corajosa, mas inexpressiva.
 
Hoje, o Brasil é a sétima economia do mundo; é o 84º país em IDH; o 73º em percepção da corrupção. E é o primeiro em “felicidade futura”, segundo estudo da FGV.
 
Hoje, 42% dos eleitores de São Paulo dizem que vão votar no candidato do Lula a prefeito da capital, seja quem for. E 72% da população aprova Dilma Rousseff, uma presidente da República disléxica, que finge fazer faxina no governo. E agora tenta proteger um ministro enrolado com consultorias tóxicas.
 
Ah, o povo! Tão potente! Parece que não está nem aí. O que pode uma maré azul nas contas nacionais!
 
No STF, a nossa corte suprema, ministros empurram com a barriga a Lei da Ficha Limpa, o julgamento do Mensalão e blindam cada vez mais “o Poder mais fechado”, a falsa justiça que castiga o pobre e serve ao rico.
 
O Partido do Trabalhadores, que está no poder há nove anos, nomeia juízes, controla o Congresso Nacional e transformou todo o setor público em aparelho partidário para reproduzir o seu domínio político, apoiado pelas oligarquias mais atrasadas, de Sarney a Collor e por aí vai.
 
Este sistema é alimentado por políticas públicas transformadas em fábricas de votos. E é azeitado pelo capital corruptor, pela baixa educação da população e pela propaganda oficial.
 
Os sindicatos e movimentos sociais estão dominados, domesticados pelo dinheiro fácil do governo. As universidades estão caladas. O Ministério Público não faz o que deve. E a imprensa crítica está sob fogo cerrado.
 
Hoje, novamente, há uma minoria corajosa e inexpressiva, na contramão da virtual unanimidade de apoio ao governo. E dentro dessa minoria, estão os movimentos que reclamam da corrupção e da impunidade, alertando para o risco que a desmoralização da democracia significa para a sociedade.
 
Esta é uma luta desigual, um enfrentamento à máquina do estado e a forças políticas e econômicas extremamente poderosas. Tenho novamente o privilégio e a alegria de estar deste lado, da minoria que combate o bom combate. Quanto mais difícil fica, mas vontade dá de lutar.
 
O movimento anticorrupção é recente, habitado por singularidades, diferenças e até antagonismos. Aprendi que é bom que seja assim. Aprendi também que para tudo há uma ocasião debaixo do céu. Depois das passeatas e comícios, agora é tempo de refletir e planejar a luta futura.
 
E para não parar o combate, vamos aproveitar a ocasião festiva para debochar um pouco dos que passaram o ano desfrutando da impunidade e rindo da gente. Vamos escolher o vencedor do Troféu Algemas de Ouro 2011. Se você acha que o Poder Judiciário não está dando conta do recado, aproveite esta oportunidade de fazer justiça no Brasil.

Ela própria — nua –, solidão, doces e frutas: a pintura hiperrealista de Lee Price

domingo, 18 de dezembro de 2011

17/09/2011

Por Rita de Sousa
Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/

O blog publicou recentemente um post com pintura hiperrealista — no caso, quadros do francês Matteo Mezzetta – de que muitos leitores gostaram. Agora vocês vão poder apreciar Lee Price, autora de uma obra muito original, centrada em autorretratos.

Seu ângulo de visão, assim como os detalhes íntimos ou os cenários escolhidos, não são nada convencionais. É que Lee Price se retrata rodeada de frutas, doces e até junkie food, mas não na sala de jantar ou na copa, e sim no banheiro, na banheira, na cama, no chão. São cenas solitárias, que abordam a mulher e suas escolhas alimentares, a compulsão, o excesso e, eventualmente, o pudor — daí o sigilo de espaços privados.

A visão de Lee inclui um quê de voyeurismo, como se ela estivesse olhando para si mesma com um distanciamento seguro, que não requeira a decisão de parar com o comportamento compulsivo.

Ela pinta sempre com tinta a óleo, sobre telas de linho tratado.

VEJA TAMBÉM:

Nudez, sexo, ousadia nos quadros hiperrealistas do americano Terry Rodgers

São fotografias em preto e branco? Não, são pinturas. Confira

“Auto-retrato na Banheira com Sorvete”

Grilled Cheese II - Oil on Linen“Queijo na Chapa II”

Cocoa Puffs Oil on Linen
“Cocoa Puffs” (nome de um cereal matinal)
Lemon Meringue Oil on Linen“Merengue de Limão”

 Panquecas de Blueberry II“Panquecas de Blueberry II”

Redemoinho de Morango “Redemoinho de Morango”

Sorvete“Sorvete”

Sorvete III“Sorvete III”

Tortinha de Morango II“Tortinha de Morango II”

tortinha de morango III“Tortinha de morango III”

Retrospectiva ética de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011
 
Lucas Marchesini
Do Contas Abertas 

Em 2011, o tema “corrupção” ganhou as ruas do país em diversas manifestações sociais daqueles que não se mostraram apáticos diante das denúncias de irregularidades que assolaram a Esplanada dos Ministérios. A indignação tinha fundamento: este ano foi marcado pelo recorde de seis ministros demitidos por irregularidades em suas Pastas.

Mas, como afirmou Carlos Drummond de Andrade, “o último dia do ano não é o último dia do tempo”. Por isso, com a proximidade do fim de 2011, a Associação Contas Abertas entrevistou dois acadêmicos brasileiros especialistas em ética, para avaliar os acontecimentos deste ano.

Confira as entrevistas feitas com o professor de ética e filosofia na Universidade de Campinas, Roberto Romano, e o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal de Minas Gerais e autor do livro “Corrupção, Democracia e Legitimidade”, Fernando Filgueiras.

Contas Abertas (CA) – Algumas leis que versam diretamente ou indiretamente sobre corrupção foram aprovadas ou bem encaminhadas em 2011. Porém, levantamento da Frente Parlamentar Mista de Combate a Corrupção, da Câmara dos Deputados, mostra que há, pelo menos, 116 projetos que visam combater a corrupção parados no Congresso Nacional. Qual foi, então, o papel do Poder Legislativo do ponto de vista ético, em 2011?

Roberto Romano (RR) - Foi compatível com tudo que sabemos historicamente do Poder Legislativo brasileiro, extremamente leniente em relação ao Poder Executivo. Pessoas públicas importantes, como é o caso do Antonio Palloci (ex-ministro da Casa Civil) e do Fernando Pimentel (ministro de Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior), por exemplo, se sobressaíram pelas atividades do lobby, enquanto está prática ainda não foi regulamentada pelo Congresso.

Existem vários projetos sobre o tema dormindo “em berço esplêndido” que até agora não tiveram os encaminhamentos devidos. As medidas tomadas este ano precisariam ser mais amplas, responsáveis e sérias, como no caso do fim do privilégio do foro e da regulamentação do lobby.

Fernando Filgueiras (FF) - A Lei de Acesso à Informação a Lei de Controle da Corrupção no Setor Privado são grandes conquistas recentes para a democracia no Brasil. Contudo, o Congresso Nacional tem deixado a desejar no que diz respeito ao próprio papel de instituição controladora, no âmbito do sistema político brasileiro. Talvez o melhor exemplo seja o caso da deputada Jaqueline Roriz, absolvida pela Comissão de Ética.

O Congresso tem papel central para a promoção da accountability, mas tem deixado a desejar também no que diz respeito ao controle das demais instituições do sistema político – o Executivo e o Judiciário. Acredito que, não por acaso, o Congresso e os partidos políticos são as instituições vistas com maior desconfiança por parte da opinião pública.

CA – O ano que acaba foi marcado, entre outros, por manifestações populares de combate a corrupção. Muitas delas seguiram a derrubada de ministros após “escândalos” éticos divulgados pela imprensa. A atitude da presidente Dilma Rousseff logo foi chamada de “faxina”. Como ficou o executivo federal nessa questão em 2011?

RR - A atitude mudou positivamente. Nos oito anos do governo Lula, os ministros eram acobertados e protegidos. Via-se sempre a tentativa de defendê-los da sociedade, da imprensa, de tudo e todos que estavam acusando-os de irregularidades. Já a presidente deixa que as acusações e provas trazidas pela imprensa e pelo Ministério Público cheguem ao limite do insuportável para, então, aceitar a demissão.

Entre a atitude de defender ministros e a de aguardar que as coisas se tornem mais complicadas para os acusados na opinião pública, acredito que haja uma melhora ética no desempenho da presidente.

FF - A idéia de faxina ética não é boa porque reforça a instabilidade e o atropelo de procedimentos importantes no que diz respeito à coisa pública. Só derrubar o ministro por questão de desvio ético não basta.

O que foi feito após a demissão do ministro? Foi aberto processo para imputar as devidas sanções legais a estes agentes públicos nos casos de desvios? Ao que me parece, esta idéia de faxina ética é uma espécie de cortina de fumaça, em que o governo apresenta-se para a opinião pública como defensor da probidade, mas muito pouco é feito no sentido de punir os culpados.

Basta observar que em muitos casos não tratamos apenas do desvio de valores da ética pública, mas de crimes graves, envolvendo grandes somas de recursos públicos.

CA – E a esfera judiciária?

RR - No caso do Judiciário, são várias situações complicadas do ponto de vista ético. Por exemplo, a história de magistrados aceitarem patrocínios para convescotes ou spas de luxo a pretexto de seminários e debates. O conflito de interesse é evidente e eles não se dobram as determinações da regra ética básica: de maneira nenhuma é permitido ao árbitro ou magistrado aceitar a ajuda das partes. Esse foi o grande fato negativo do Judiciário este ano. Pelo menos, o Conselho Nacional de Justiça promete normatizar essas relações complicadas da magistratura com interesses privados e estatais que entram em jogo nesses eventos.

FF - O Judiciário talvez seja o grande gargalo para a não punição dos crimes de corrupção no Brasil. Estudo recente indica que nos casos de demissões de servidores públicos federais por corrupção, por exemplo, não há sanção, pois o Judiciário revê as decisões administrativas e faz com que estes servidores retornem aos postos de trabalho. Foram poucas as punições de autoridades eletivas no Supremo Tribunal Federal, ocorrendo a primeira punição apenas em 2010. Ou seja, a impunidade relacionada à corrupção é quase um incentivo para as práticas desonestas no setor público.

CAA imprensa é sempre um ator importante em questões éticas quando o problema ocorre na esfera governamental. Qual o balanço da atuação da mídia nesse quesito em 2011?

RR - A imprensa teve altos e baixos. Porém, prefiro avaliar os bons momentos, que trazem ganhos à cidadania. Ela cumpriu o seu papel, trazendo a tona muitas denúncias. Como sempre, trabalhou junto com o Ministério Público e com movimentos sociais, em situações que provavelmente chegariam aos ouvidos do cidadão comum. Mas há o prêmio negativo: conseguiu ser odiada por alguns políticos que pretendem calar essa fonte de informações e de cidadania.

FF - A imprensa, no Brasil, tem sido bastante atuante nesse quesito. O problema é que ela tem estabelecido a agenda do governo e muitas vezes acaba colaborando para certa instabilidade. A lógica dos escândalos não é boa. Mas, acredito que a cobertura dos diferentes casos de questões éticas devam ser noticiados. Volto à questão: O que o poder público fez após a demissão dos ministros? Quais as sanções que foram aplicadas? Ficar só no agendamento da questão ética e colocar o governo contra a parede não basta para que de fato ela colabore para o enfrentamento da corrupção no Brasil. A imprensa tem que investigar e noticiar os diferentes casos de corrupção. Mas a cobertura tem que ser completa e não apenas um instrumento de oposição.

CA – Segundo a Constituição, o poder emana do povo. Em 2011, parte da sociedade civil manifestou-se contra a corrupção. Como você avalia esse fato?

RR - A sociedade civil mostrou-se menos apática, ensaiando manifestações de norte a sul do Brasil. Mas é preciso lembrar que a sociedade civil, sobretudo os setores não dominantes do ponto de vista econômico, está sob os resultados de dois macrofenômenos que ocorreram no século XX no Brasil: as duas ditaduras que cercearam a iniciativa e deseducaram os brasileiros para as reivindicações e a inflação, que chegou a pontos desesperantes no período José Sarney e Fernando Collor. Tais fatos levaram ao desarme do ponto de vista da atividade política porque as pessoas muitas vezes preferem a situação injusta, e até mesmo corrupta, do que aquela em que tudo é corroído pela desvalorização do dinheiro.

Para esse tipo de análise, tomo por base o grande pensador Elias Canetti que no livro “Massa e Poder”, fundamental para o entendimento das relações das massas com o Estado, mostra que a inflação é, de fato, um dos elementos mais paralisantes da atividade política, unido à propaganda governamental, cada vez mais maciça em todos os níveis. Milhões de reais que poderiam ser usados para os serviços públicos são gastos na tarefa de convencimento do eleitor, outro fator de desmobilização. Apesar de tudo, foram muito positivas as manifestações que ocorreram em 2011.

FF - Avalio de maneira bastante positiva. A sociedade precisa colaborar no enfrentamento da corrupção, inclusive exercendo esse papel pedagógico sobre a política. O exercício da cidadania passa pela atuação da sociedade no controle da política. A sociedade civil também tem atuado nas esferas institucionais, especialmente se considerarmos que em 2012 será realizada a I Conferência Nacional Sobre Transparência e Controle Social. São ganhos para a democracia, sem dúvida.

O problema é que a sociedade civil tem limites para atuar nesta área. Não tem informação completa dos casos de corrupção e não é desejável que ela se mobilize apenas nessa direção. É fundamental que a sociedade civil atue junto às instituições, cobrando ações e punições dos envolvidos. O enfrentamento da corrupção não pode ser apenas agenda negativa, que a naturalize na dimensão do sistema político. A sociedade deve enfrentar a corrupção de forma criativa, pressionando o sistema político para criar instituições e regras que auxiliem no combate dessa mazela.

CA – O que precisa ser mudado no curto, médio e longo prazo para que a ética prevaleça?

RR - A primeira medida que pode ser tomada em curto prazo – bandeira assumida pela imprensa e pelos movimentos sociais – é o fim foro especial dos políticos. O privilégio do foro não só radicalizou enormemente a corrupção, mas trouxe a arrogância da impunidade. Antigamente, as pessoas se apossavam dos bens públicos quase na clandestinidade. Hoje, elas fazem a céu aberto, sem nenhum pudor, e desafiando os Tribunais. Veja um exemplo: o ministro Lewandovski, do STF, disse que as penas do mensalão serão impossíveis de serem aplicadas e os crimes prescreverão. Até onde vão as conseqüências desse privilégio de foro? Deixam de levar às últimas conseqüências o princípio básico do Estado de Direito, que é a responsabilização das pessoas públicas.

O segundo ponto é a questão do lobby. Se tivéssemos essa atividade regulamentada, teríamos atenuado crises como as da Erenice Guerra, Palocci e Pimentel. Na ausência da regulamentação, o nosso Congresso se torna uma imensa federação de lobistas.

O terceiro ponto, que está ausente dos debates, é a questão da democratização dos partidos políticos. Enquanto eles forem feudos de dirigentes, não ocorre renovação dos quadros e a possibilidade de luta contra a corrupção, porque esses dirigentes já estão acostumados com esses caminhos tortuosos e não abrem a possibilidade para o ingresso de novas pessoas. Hoje, para ser candidato no Brasil, é necessário ter as bênçãos dos donos dos partidos que controlam os cofres, as alianças, os programas e as candidaturas. Se eles não forem democratizados, fazendo com que as bases tenham participação de fato, seja através de eleições primárias ou mecanismos mais amplos, vão existir esses arremedos de partido, que são na verdade propriedade privada de oligarcas.

FF - No curto prazo, acredito que é necessária a atuação política do Estado frente à corrupção. Quando digo atuação política do Estado, não me refiro apenas a algum governo ou partido, mas às diferentes instituições políticas. Colocar a questão do enfrentamento da corrupção na agenda política é primordial. No médio prazo, acredito que o principal objetivo deva ser a aplicação e o aprimoramento da Lei de Acesso à Informação, que pode contribuir de maneira inestimável para o enfrentamento da corrupção e rotinizar a transparência no Brasil. Mas o grande objetivo de longo prazo, e que também é o mais difícil, é o Congresso promover mudanças na legislação, de forma a não permitir a impunidade dos crimes de corrupção.

E se houvesse uma prisão-escola para corruptos?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Procurador pede a reeducação de corruptos condenados, o que seria feito em uma prisão especial construída exclusivamente para eles. Por Hugo Souza

 Já nos apagar das luzes de 2011 surgiu uma das ideias mais, digamos, originais do ano. No início de dezembro o procurador da República no Mato Grosso do Sul Ramiro Rockenbach ajuizou uma ação civil pública pedindo que a União construa uma penitenciária federal exclusiva para um clientela pouco habitual do sistema penal brasileiro: os corruptos.
 
Sim, uma prisão só para corruptos. Por que? Para “dar uma resposta à sociedade brasileira”. Segundo o pai da ideia, uma penitenciária exclusiva para mensaleiros e que tais  teria um valor “simbólico” para uma sociedade que, no seu entender, estaria se mobilizando com frequência cada vez maior contra a corrupção.
 
“São poucos presos pela corrupção que a gente vê. A Polícia Federal trabalha, o Ministério Público trabalha, o Judiciário trabalha e só tem 1,4 mil corruptos? Dá a impressão que no fundo, a corrupção é tolerável e não precisa ser punida”, disse o procurador Rockenbach ao jornal O Globo.
 
‘Estudar o cérebro do corrupto’
 
Mas a penitenciária para corruptos que o procurador Ramiro Rockenbach solicitou ao governo federal não é uma prisão qualquer. Trata-se de uma prisão-escola. Na ação civil pública ajuizada por Rockenbach, o procurador de ideias férteis pede, além de grades, guardas e guaritas, a contratação de uma equipe profissional multidisciplinar para “reeducar os presos corruptos com ensinamentos sobre ética, moralidade, honestidade e trato correto com a coisa pública”.
 
A ação pede ainda a construção de um museu contra a corrupção e que as fotos dos condenados sejam colocadas na entrada da prisão só para corruptos. “Vamos estudar o cérebro do corrupto”, diz o procurador Rockenbach.
 
Ele acredita na recuperação do criminoso pela via do sistema penal para fins de ressocialização, algo que no Brasil só se ouve falar quando o preso não pertence às classes populares. Quando é pobre, prevalece o discurso de Lombroso, Cesare Lombroso, o italiano que desde o século XIX convence muita gente de que existem pessoas nascidas para delinquir.
 
Concepção vingativa da pena
 
Até hoje ninguém pensou em “equipe multidisciplinar” para ajudar os ladrões de galinha a entenderem por que eles ficam presos indefinidamente em celas superlotadas e insalubres à espera de um julgamento que não vem, contrariando todas as leis do país.
 
O procurador também acredita na função dissuasória da prisão, o que fica claro com a inclusão na argumentação da sua ação civil a informação de que o Brasil ocupa apenas a 73ª posição no ranking de nações menos corruptas, segundo pesquisa com 182 países feita pela organização Transparência Internacional neste ano. Pela lógica da qual se vale o procurador, um prisão federal para corruptos vai inibir a corrupção, relação de causa e efeito que até hoje não foi cientificamente comprovada para qualquer tipo de crime.
 
Por fim, o autor da proposta da prisão só para corruptos parece um entusiasta da concepção vingativa da pena, típica do direito penal arcaico, na qual o afã para “dar uma resposta à sociedade” costuma se sobrepor à própria razão.

‘Homo sapiens’ pode ter surgido no Oriente Médio

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um estudo de arqueólogos da Universidade de Tel Aviv sugere que o Homo sapiens surgiu Oriente Médio há cerca de 400 mil anos por consequência do desaparecimento dos elefantes, que eram a principal fonte de alimentação do Homo erectus. Hoje, a teoria mais aceita é a de que o Homo sapiens surgiu na África há 200 mil anos.

Leia também: Encontrado novo antecessor do ‘Homo erectus’
Leia também:A história dos Homo sapiens antes do êxodo

O arqueólogo Ran Barkai, explica que o desaparecimento dos elefantes da região geográfica do Levante – onde hoje se encontram Síria, Líbano, Jordânia, Israel e os territórios palestinos – levou à evolução do Homo erectus ao Homo sapiens. “Quando os elefantes desapareceram, o Homo Erectus foi obrigado a buscar outros alimentos e teve que desenvolver uma agilidade mental e instrumentos que não tinha antes”, disse Barkai à BBC Brasil.

O Homo sapiens tem um cérebro muito mais desenvolvido do que o do seu antecessor Homo erectus. A teoria de que a evolução teria sido impulsionada por necessidades de nutrição explica a evolução mais cedo no Oriente. Os pesquisadores explicam que, enquanto que no Oriente Médio os elefantes desapareceram há 400 mil anos, na África isso só aconteceu 200 mil anos depois.

Humanos modernos evoluíram na África há 200 mil anos, diz Barkai, e o paradigma mais aceito até então é o de que foi a primeira aparição do Homo sapiens. Descobertas arqueológicas nos dizem que os elefantes na África desapareceram junto com a cultura Aucheliana e com a emergência de humanos modernos lá. Apesar de ainda encontrarmos elefantes na África hoje, poucas espécies sobreviveram e não há evidências de que o animal possa ser encontrado em sítios arqueológicos com menos de 200 mil anos. A semelhança com as circunstâncias no Oriente Médio há 400 mil anos não é coincidência, dizem os pesquisadores. As descobertas sobre os elefantes e a dieta do Homo erectus não apenas dão uma explicação há muito aguardada para a evolução dos humanos, mas elas também põem em questão o que os cientistas sabem sobre o “local de nascimento” do homem moderno.

A equipe do Departamento de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv faz escavações na caverna Qesem, em Israel, perto da cidade de Rosh Haain desde 2000. No ano passado a equipe anunciou a descoberta de sinais de que o Homo sapiens já existia há 400 mil anos. “Desde a descoberta, há um ano, fizemos um trabalho de integração de todos os dados e chegamos à conclusão de que a nutrição é a chave do enigma”, disse Barkai.

Durante a análise das descobertas das escavações (desde instrumentos, restos humanos e de animais), a equipe concluiu que os instrumentos sofisticados, como pequenas facas fabricadas de maneira “sistemática”, só foram descobertos em camadas nas quais já não havia elefantes. Barkai explicou que o Homo erectus usava instrumentos maiores e menos sofisticados para caçar e repartir a carne dos elefantes. “O Homo erectus comeu elefantes durante 1 milhão de anos. Instrumentos mais sofisticados e menores são associados ao Homo sapiens“, afirmou.

A pesquisa

Os pesquisadores compararam suas descobertas com pesquisas feitas na África e verificaram que lá o surgimento do Homo sapiens também só aconteceu após o desaparecimento dos elefantes. Isso contribui para a tese de que a evolução humana teve ligação direta com a necessidade de buscar novas fontes de alimentos que eram menores e mais difíceis de caçar do que os elefantes.

Segundo Barkai a publicação do estudo suscitou ligações do mundo inteiro de cientistas interessados nas descobertas. “Com esse estudo conseguimos fornecer uma explicação para o aparecimento de resíduos com a idade de 400 mil anos, do Homo sapiens, na caverna de Qesem”, afirmou.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Verdade, mentira…

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Por Alexandru Solomon

Temos uma Comissão da Verdade. Este fato provocou acalorados debates e negociações, resultando um produto cuja utilidade somente poderá ser avaliada após ter cumprido a missão que lhe foi designada. Não há de minha parte a intenção de adotar uma posição radical favorável ou contrária a essa Comissão. Aguardemos os resultados. Obviamente, faz sentido questionar o horizonte de tempo que se propõe analisar, indagar por qual motivo ficaram de fora períodos importantes de nossa História antes e depois do momento histórico que ficará sob a lupa de um comitê de sete ‘notáveis’. A pergunta: “por que não a partir de – por exemplo – 1930?” ou “por que não até hoje?”, ou ainda “ por que esse tratamento hemiplégico da verdade”, não poderá encontrar outra resposta a não ser uma platitude: Os vencedores escrevem a História.

A revogação de fato ou de direito das leis da anistia em maior ou menor grau em toda a América Latina poderá reabrir antigas feridas. Resta saber se será possível falar num resultado positivo dessa medida.

Na vizinha Argentina está “no forno” a proposta de redesenhar alguns perfis de políticos. Esse processo estaria fundamentado numa adaptação da realidade que satisfaça a visão da presidente Cristina Kirchner em contraposição àquilo que gerações aprenderam, isso porque para a presidente do país vizinho, até agora prevaleceu a visão de vencedores em diversos momentos históricos. Exagerando, será que reescrever manuais históricos influirá o futuro da Argentina?

O caso brasileiro nem de longe chega a esse extremo. Aparentemente, o que se pretende é lançar uma luz – que se quer objetiva – sobre o período em foco. Portanto não se tem – em tese – a intenção de chegar a extremos como as “revisões” praticadas na antiga União Soviética, ou nos seus satélites, quando personagens considerados heróis passavam, sem maiores explicações, à categoria de vilões, tendo seus nomes apagados dos manuais de História e seus retratos eliminados de fotografias oficiais – bem antes do advento do Photoshop. Revanchismo? Talvez. Derrubar estátuas de Stalin, depois das revelações de Hruschov (nada de Kruchev) foi a conseqüência visível do surgimento de uma verdade soterrada por longos anos.

A História está repleta de “mentiras”. Somente numa perspectiva histórica será possível determinar as estaturas reais, a ‘verdadeira grandeza’ de perfis públicos. Historiadores empolgados, ou alinhados com os poderosos do momento, bosquejaram retratos que não resistiram ao tempo. As camadas embelezadoras e/ou suas contrapartidas negativas desapareceram, mas esse é um processo que leva décadas ou séculos. Até esse ponto, D. João VI continuará uma nulidade bulímica, Robespierre será o ‘incorruptível’, Pôncio Pilatos será um vitorioso preocupado com a limpeza de suas mãos, e José Sarney… bem, o tempo dirá, ou será que já disse?

Para períodos curtos, prevalecerá a ‘lei de Goebbels”, segundo a qual uma mentira repetida tende a se tornar verdade. Entre nós, a contestação de algumas dessas ‘verdades’ é rotulada de “desespero de reacionário”, ou produto do PIG. Contestar ‘verdades oficiais’ recebe o nome de “tentativa de golpe”, “moralismo udenista” etc.

Mas o que é mentira? Seria apenas uma afirmação contrária à verdade a fim de induzir a erro, ou um juízo falso. Parece ‘pobre’ a idéia de definir mentira a partir do que ela não é. Vale a pena refletir com que objetivo uma proposição mentirosa deturpa a realidade. Ou ainda se a proposição falsa resulta de uma falta de conhecimento ou foi formulada com propósito defensivo. Algo como “Não é o que você está pensando, querido”. Mentiras como essa, assim como o pintor Toulouse Lautrec, têm pernas curtas. “Sem mentiras, a verdade morreria de tédio e desesperança” sentenciava Anatole France.

“Querida, seu vestido está um sonho”, ao invés de “esse vestido a deixa como uma salsicha” não deixa de ser uma agressão voluntária à maneira de ver de um marido que está preocupado em não chegar tarde no jantar promovido pelo “chefão”. Convenhamos, é uma mentira, mas é algo inofensivo assim como “esse corte de cabelo foi um achado” ou “adoro o lombo que minha sogra prepara”. Vamos nos indignar com o filho que afirma com o rosto lambuzado de chocolate nos disser: “Mami, foi o Abner (o cachorro do casal) que comeu a torta”? De forma alguma, uma vez que umas palmadinhas poderão nos tornar réus aos olhos de uma lei de méritos discutíveis.

Não entram nessa categoria: ”terei de preparar a revisão do orçamento e chegarei tarde” e muito menos: “nós não roubamos nem deixamos roubar”, tão em voga. Nesse último caso, é possível dizer que a orientação política é uma inimiga muito mais acerba da verdade que a mentira que resultou.

Então, só nos resta dizer, a exemplo de Pablo Neruda que: “A verdade é que não há verdade”?

A discussão corre o risco de se alongar perigosamente ao invadirmos o terreno pantanoso das omissões. Deixar de mencionar um fato, movidos por dolo, seria mentir. “Jamais menti, mas confesso que já deixei de contar toda a verdade”. Esse é o CEP do perigo. Ou, é aí que mora o perigo. Isso sem contar que contar de maneira proposital somente uma parte da verdade é dar mostra de má-fé.

Não é sem motivo que se pode afirmar que duas meias-verdades não compõem uma verdade inteira.

Ao afirmar que é preciso dourar a pílula, Baltasar Gracián assim se referiu à verdade: “Ela é perigosa, porém o homem de bem não pode deixar de dizê-la”.

Serão os políticos “homens de bem”?
Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` (Ed. Totalidade), ´Bucareste` e ´Plataforma G` (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br

Celso Fernandes, jornalista, escritor.
Colunista de Moda, TV e Literatura. Assessoria de imprensa.
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Lula vai virar o novo Padim Ciço?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Fonte: opiniaoenotivia.com.br

Lula não se fará de rogado para usar a sua luta contra o câncer para tentar fazer aumentar a devoção à sua figura? Por Hugo Souza

Uma observação nada sutil do articulista do jornal O Estado de S.Paulo José Nêumanne sobre a doença do ex-presidente Lula feita na última segunda-feira, 28, está causando grande ronrom. Participando de um evento intitulado “Liberdade de Imprensa vs. Politicamente Correto”, em São Paulo, Nêumanne profetizou: “O câncer vai fazer Lula se tornar o Padre Cícero”.

Talvez entusiasmado com o tema do seminário do qual participava, José Nêumanne colocou de uma forma mais, digamos, midiática, ou pelo menos politicamente incorreta, o que muito já se comentou na imprensa nacional e internacional sobre o efeito que o tumor na laringe do ex-presidente terá sobre a vida política brasileira.

Vide a recente reportagem da principal revista de econômica e política do mundo, a The Economist, sobre as implicações políticas do diagnóstico de Lula, na qual se diz que “as palavras que ele proferir serão difíceis de ignorar. O sentimento de solidariedade com ele dará mais peso às suas indicações de candidatos e pedidos de unidade na coalizão”.

Devoção e mistificação

“Ele vai fazer o que quiser com o PT e com o Brasil”, disse ainda José Nêumanne, prevendo que Lula se tornará um colosso político ainda maior depois da cura, desfecho bastante provável do tratamento do ex-presidente, segundo os médicos.

Tais afirmações de José Nêumanne têm como substrato a suspeita de que Lula e seu círculo político não se farão de rogados para usar a sua luta contra o câncer a fim de tentar fazer aumentar a devoção à sua figura. Para alguns, o estratagema já está em curso, tendo começado mais exatamente quando o ex-presidente apareceu em um vídeo gravado no hospital Sírio-Libanês após a primeira sessão de quimioterapia para agradecer “a solidariedade e o carinho do povo brasileiro” e para dizer que a luta contra a doença “não é a primeira nem última batalha” que ele irá enfrentar.

No vídeo sobre o câncer, falou o político messiânico: “Não existe espaço para pessimismo, para ficar lamentando que o dia não foi bom. Sem perseverança, sem muita persistência, sem muita garra, a gente não consegue nada. Nós temos que lutar. Foi para isso que eu vim, para lutar, para melhorar a vida de todo mundo”.

O mistério do mindinho

A dita devoção a Lula foi construída, sim, com um carisma que o faz quase que imantado, mas também com boas doses de mistificações que foram se criando em torno de sua história de vida e de sua vida política.

Acerca de tais mistificações, o próprio Nêumanne questiona a história que Lula conta sobre a perda do dedo mindinho da sua mão esquerda. Segundo o ex-presidente, ele estaria trabalhando no torno quando um colega bêbado chegou e prensou seu dedo. Lula teria sido obrigado a seguir trabalhando porque o patrão não o teria deixado ir ao médico. Quando finalmente chegou ao pronto-socorro, depois do expediente, o plantonista teria amputado seu dedo por puro comodismo.

“Aí, eu pergunto: quem era esse bêbado? Quem era o patrão? Quem eram esses amigos? Quem era o médico? Ninguém sabe!”, disse Nêumanne em sua noite politicamente incorreta em São Paulo. A mesma noite na qual ele levantou a bola de que o Lula de câncer curado, será o novo “Padim Ciço”, como diz a gente pobre do sertão. E completou: “É a mesma história das outras contadas pelo Lula: ele sempre é o herói e sempre tem um filho da p… para atrapalhar”.

Caso se confirme o cenário de uso político do câncer de Lula pelo próprio doente, algo como uma volta por cima “como nunca antes na história deste país”, o ex-presidente estará legitimando por completo as campanhas que surgiram desde o seu diagnóstico pedindo que ele trate seu tumor pelo SUS, e não no Sírio-Libanês – campanhas diante das quais muita gente se escandalizou exatamente por não admitir a mistura de Lula com Luis Inácio, ou seja, da política com a doença.

Assistir filmes violentos coloca cérebro em modo de sobrevivência

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O cinema também pode mudar a forma como o nosso cérebro funciona.O estresse sentido ao assistir filmes violentos, por exempo, muda funções cerebrais afirma grupo de pesquisadores, liderado por Erno Hermans, da Universidade de Universidade Nijmegen Radboud, na Holanda.

Em trabalho publicado nesta quinta-feira (24) no periódico científico Science pesquisadores demostraram que cenas violentas alteram as conexões entre diferentes regiões do cérebro.

Eles fizeram um experimento no qual mostravam dois tipos de cenas de filmes (violentos e não violentos) a várias pessoas e analisaram as respostas do cérebro às imagens utilizando uma tecnologia de chamada ressonância magnética funcional que permite enxergar quais áreas do cérebro estão sendo ativadas em um determinado momento.

Os pesquisadores viram que há uma redistribuição estratégica de recursos para áreas cerebrais ligadas a funções relacionadas a sobrevivência. Eles inclusive conseguiram identificar que um hormônio relacionado ao estresse, a noradrenalina parece ser o responsável por essa reorganização cerebral.

“Mostramos que a atividade da noradrenalina [..] na primeira fase da resposta ao estresse leva a uma realocação dos recursos neurais em direção a uma rede distribuída de regiões cerebrais envolvidas na atenção, vigilância e controle neuroendócrino”, afirmam os pesquisadores no artigo.

Foto: Getty Images /Cenas violentas provocam uma redistribuição estratégica de recursos para áreas cerebrais ligadas a funções relacionadas a sobrevivência

Fonte: votebrasil.com

No dia do seu julgamento, as provocações do ‘Chacal’

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Em entrevista a um jornal venezuelano, o polêmico terrorista admite ter participado da morte de quase 2 mil pessoas

7/11/2011 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A

Próximo do seu julgamento, que se inicia nesta segunda 7 de novembro, por atentados cometidos na França, o mais temido terrorista do século 20, Ilich Ramirez Sanchez, conhecido como “Carlos, o Chacal” continua suas provocações midiáticas. Em uma entrevista publicada neste domingo pelo jornal venezuelano El nacional, o Chacal reivindicou pela primeira vez mais de uma centena de ataques que teriam provocado entre 1500 e 2 mil mortos. Até então, Carlos só havia reivindicado o sequestro de 70 pessoas na sede da OPEP em Viena, que havia provocado a morte de três pessoas em dezembro de 1975.

A imagem deste terrorista envelhecido, silhueta arredondada, é final de todo um capítulo da história do século. O dos anos 1970-1980, quando o mundo ainda era dividido em dois blocos, uma guerra fria chegava ao fim, e terroristas alemães, italianos e palestinos clamavam, em nome do “internacionalismo”, a exportação da “revolução mundial”. Na abertura do processo, nesta segunda, o “Chacal” declarou ser “um revolucionário por profissão”.

Illich Ramirez-Sanchez, 62 anos, sonhou estar na pele de um combatente, berçado pelo romantismo revolucionário à la Guevara, mas viveu como um atirador de bombas contratado pelos serviços secretos, como um mercenário semeando, sem complexos, a morte à sua volta. “Carlos” é o mito; “Illich Ramirez-Sanchez, um matador. E é por causa de quatro atentados mortíferos cometidos em território francês entre 1982 e 1983 que ele deve responder de 7 de novembro a 16 de dezembro diante de um júri composto por sete magistrados, como é de costume em processos por terrorismo, Três cúmplices presumidos – um jordaniano e dois alemães, entre eles uma mulher – deverão igualmente serem julgados pelos mesmos atos. Mas o primeiro estando em fuga, e os dois outros em detenção na Alemanha, poderiam ser julgados em sua ausência.

No dia 29 de março de 1982, uma bomba explode no trem La Capitole, a alguns quilômetros de Limoges. O dispositivo, colocado logo antes de sua saída da estação de Austerlitz, em Paris, está programada num cronômetro. Ela engatilha lá pelas 20h40, provocando a morte de cinco pessoas, e deixando outras 30 feridas. Três horas depois, às 23h30, enquanto os socorros ainda se encontram na cena do drama, uma pessoa anônima telefona para a agência France Presse: “Nós reivindicamos o atentado ao Le Capitole. Nós somos o movimento para Carlos e este é um aviso ao presidenre Mitterand e especialmente ao Sr. Defferre [então ministro do interior].”No dia seguinte, uma outra reivindicação, mais explícita, chega à Prefeitura de polícia, em Paris: “Eu reivindico o atemtado do Capitole em nome da Internacional Terrorista amiga de Carlos. Liberem nossos amigos Bréguet Brunoet e Kopp Magdalena ou teremos projetos ainda mais desastrosos”.

O suíço Bruno Bréguet e a alemã Magdalena Kopp, que se tornaria esposa de Carlos, são antigos membros do grupo terrorista alemão Baader-Meinhof. Eles se juntaram á Carlos que, na época, era ligado à Frente Popular de Liberação da Palestina. Um mês após o atentado contra Le Capitole, dia 17 e fevereiro, Bréguet e Kopp foram interrogados em Paris e encarcerados na prisão de Fresnes, em Val-de-Marne. Depois disso, Carlos não parou de exigir suas liberações, multiplicando ameaças contra a França. Depois da bomba do Capitole, seguiu-se a da rua Marbeuf, em 1982, dia do processo de Breguet e Kopp. No ano seguinte, em 1983, um duplo atentado ao TGV Marselha-Paris, com três mortos e dezenas de feridos, e outra à estação Saint-Charles (Marselha), com dois mortos e mais de 20 feridos. Carlos se torna o terrorista mais temido e procurado do mundo.

Depois de uma busca que durou mais de 19 anos, o homem de 100 passaportes e 52 pseudônimos, cujo mito não terá sobrevivido à queda do Muro de Berlim e o desmoronamento dos países do bloco soviético, é capturado no Sudão, em agosto de 1994. Entregue aos serviços de informação francês em condições que ainda permanecem obscuras, acabou extraditado para a França.

Papado de Bento XVI pode estar em seus últimos dias

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Saúde do Papa gera especulações no Vaticano sobre possível renúncia.

O papa João Paulo II morreu em abril de 2005, aos 84 anos, vítima de choque séptico e problemas cardíacos. Ele sobreviveu a um câncer, estava nos últimos estágios do Mal de Parkinson, e nos anos que antecederam seu agonizante fim, as discussões sobre a mórbida e politicamente incorreta espera por sua morte, eram constantes.

Emissoras de TV alugaram sacadas nos arredores da Basílica de São Pedro, e todas as grandes publicações ao redor do mundo se planejaram, com apartamentos alugados e hotéis ocupados por meses. Mas sua morte não saiu como planejado. Várias passagens pelo hospital em 2005 funcionaram como ensaios para aquele que se tornou um dos maiores eventos midiáticos de todos os tempos. João Paulo II finalmente morreu, depois de vários dias de sofrimento lento, nos quais a imprensa do Vaticano afirmava que seu quadro de saúde estava melhorando. Milhares de fiéis peregrinaram a Roma, realizando uma vigília na Praça de São Pedro, onde cantaram e rezaram até que a luz se apagasse em sua famosa janela.

Joseph Ratzinger foi eleito em um conclave secreto semanas mais tarde, e se tornou o papa Bento XVI. Aos 78 anos, ele se tornou o papa mais velho em quase 300 anos. Seria um exagero dizer que a mídia mundial está se preparando para o próximo funeral papal com a mesma intensidade do anterior, mas sem sombra de dúvida, a saúde do atual papa está sendo acompanhada com atenção.

Aos 84 anos, o papa Bento XVI começa a dar sinais de declínio. No início do mês, quando ele começou a usar a mesma plataforma móvel para percorrer a Basílica de São Pedro, jornalistas do Vaticano começaram a especular sobre sua saúde, e de certa forma, a se preparar para o inevitável. “O propósito da plataforma é exclusivamente aliviar os esforços de Sua Santidade, como já acontece no uso do Papamóvel”, afirmou o Padre Federico Lombardi, assessor de imprensa do Papa.

Bento XVI tem um histórico de problemas médicos. Em 1991, antes de se tornar papa, ele teve um derrame hemorrágico que afetou sua visão. No ano seguinte, desmaiou em seu banheiro, cortando a cabeça e precisando de vários pontos. Durante a Missa de Páscoa de 2009, ele tropeçou e precisou da intervenção de seus ajudantes para evitar uma desastrosa queda nos degraus da Basílica. Durante a Missa de Natal, uma mulher ultrapassou a barreira, derrubando o pontífice. Ele saiu ileso, mas ficou visivelmente abalado com o incidente.

Não importa por quanto tempo Bento XVI viva, o passatempo popular de adivinhar quem será o próximo papa já se espalhou pelas esquinas romanas. Mas o atual pontífice não precisaria necessariamente morrer para que a sucessão acontecesse. Ele poderia se aposentar. Quando liderava a Congregação de Doutrina da Fé, ele tentou se aposentar duas vezes por “problemas de saúde”, mas João Paulo II se recusou a aceitar sua demissão. Numa biografia, escrita em parceria com o jornalista alemão Peter Seewald, Bento XVI afirmou não ver nada de errado na aposentadoria papal: “Se um papa reconhece que não é mais capaz física, psicológica e espiritualmente de desempenhar as funções de seu cargo, então ele tem o direito, e, em alguns casos, a obrigação, de renunciar”.

O famoso jornalista Antonio Socci aumentou o pânico escrevendo no jornal Libero que o papa poderia deixar o cargo na próxima primavera. “Esse boato circula pelos altos escalões do Vaticano, e, portanto merece atenção. O Papa não rejeita a possibilidade de renunciar ao cargo quando chegar aos 85 anos em abril do ano que vem”, escreveu o jornalista.

Especulações à parte, o Papa não dá sinais de que deixará o cargo tão cedo. E apesar de um ou outro problema que surja com a idade, ele se encontra em um momento bem melhor que o que seu antecessor viveu na mesma idade. No entanto, isso não fará com que os observadores parem de especular ou que a mídia pare de se preparar.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Ler a mente começa a se tornar realidade

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Como ler o cérebro

Agora é possível escanear o cérebro de alguém e ter uma ideia razoável do que está se passando em sua mente.

Se você pensa que a arte de ler mentes é um truque de mágica, pense novamente. Nos últimos anos a habilidade de conectar primeiro macacos e depois homens a máquinas em métodos que permitem que os sinais cerebrais digam a essas maquinas o que fazer melhorou muito.

Mas existe outro tipo de leitura da mente também: determinar, escaneando o cérebro, o que alguém está realmente pensando. Esse tipo de leitura da mente é mais avançado do que os feitos com máquinas, mas está chegando, como mostram claramente recentes estudos. Um destes estudos é uma tentativa de decifrar sonhos. Um segundo pode reconstruir  uma imagem em movimento do que um observador está olhando. E um terceiro pode dizer o que alguém está pensando.

Primeiro os sonhos. Para estudá-los, Martin Dresler, do Instituo Max Plack de psiquiatria em Munique, e seus colegas recrutaram um grupo conhecido como sonhadores lúcidos. Eles publicaram seus resultados na revista Current Biology dessa semana. Um sonho lúcido é aquele em que a pessoa que está sonhando está ciente de que está sonhando e pode controlar suas ações quase como se estivesse acordada. A maioria das pessoas tem sonhos lúcidos ocasionalmente. Alguns, no entanto, os tem frequentemente – e alguns se tornaram muito bons em manipular o processo. Dresler cooptou seis praticantes autoproclamados da arte para seu experimento. Ele pediu que eles executassem, em seus sonhos, uma simples ação cujos traços neurológicos em um scanner cerebral são bem compreendidos. Essa ação foi a de fechar ou abrir sua mão esquerda ou direita. O teste seria para ver se o scanner cerebral de Dresler poderia detectar com segurança a diferença entre cerrar e descerrar os punhos.

Uma vez que um voluntário cochilou e começou a sonhar, ele deveria mover seus olhos da esquerda para a direita duas vezes, para mostrar que estava pronto para começar o experimento.  Após esse sinal, o sonhador fechou sua mão esquerda em seu sonho dez vezes, e depois sua mão direita (suas mãos reais, claro, permaneceram imóveis). Ele indicou o fim de cada conjunto de movimentos com as mãos mexendo seus olhos como antes.

Pesquisadores foram capazes de ver o cérebro agindo quando um voluntário fechou o punho em seu sonho exatamente da mesma forma que faz quando ordena que o punho feche na realidade. Isso pode parecer algo pequeno, mas é a primeira vez que a ciência provou o que até agora era mera especulação: que o cérebro, quando está sonhando, se comporta como o cérebro quando está acordado. Em princípio, portanto, talvez seja possível “ler” sonhos enquanto eles acontecem, e com isso, resolver um dos maiores mistérios da biologia: pra que, exatamente, servem os sonhos?

Apesar de parecer um exagero sugerir que a mente de um sonhador pode ser lida desse modo, não é. O segundo estudo do trio, publicado na Current Biology de setembro, mostra que agora é possível fazer uma reconstrução supreendentemente precisa, em total movimento e em glorioso technicolor, do que exatamente está se passando na mente de uma pessoa acordada.

Drama psicológico

Ao contrário de Dresler, que focou no córtex sensório motor, que controla o movimento, o Dr. Jack Gallant, da Universidade da Califórnia, Berkeley, e sua equipe estudaram o córtex visual. Seus métodos dependeram do poder bruto da computação moderna. Eles compararam trailers de filmes com imagens de ondas cerebrais em fMRI registradas à medida que os trailers eram assistidos e procuraram correlações entre os dois. Eles então alimentaram seu computador com 5 mil horas de clipes do Youtube, um site de compartilhamento de vídeo, e pediram que o computador adivinhasse, baseado nas correlações que descobriram, qual padrão de imagens em fMRI iriam aparecer.

O terceiro estudo, publicado em agosto na Frontiers in Human Neuroscience por Francisco Pereira e seus colegas na Universidade de Princeton, usou uma técnica similar a de Gallant para executar um truque igualmente impressionante. Ao invés de recriar imagens, Pereira foi capaz de determinar quais tópicos os voluntários estavam ponderando. Para fazer isso, ele reexaminou dados coletados durante um experimento conduzido em 2008, no qual nove voluntários foram expostos a 60 objetos classificados e depois tiveram seus cérebros escaneados quando foram requisitados a imaginar esses mesmos objetos.

Apesar dos algoritmos padrões detectados por Pereira não conseguirem distinguir exatamente que objetos os voluntários viram, eles conseguiram realizar uma tarefa que era apenas um pouco mais fácil. Eles conseguiram perceber que tipo de objeto era. Em outras palavras, eles não conseguiram distinguir uma cenoura de uma vara de aipo, mas podiam dizer que era um vegetal.

Leitura da mente, então, está se tornando uma realidade. A ciência ainda é bruta e imperfeita. Os resultados não falariam por si em um tribunal. Entretanto, como o relatório Franck afirmou sobre a primeira bomba atômica norte-americana anos atrás, “a coisa realmente funciona”.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A demissão do ministro e a vergonha

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Por Claudio Carneiro – opiniaoenoticia.com.br

Vergonha, culpa e embaraço se baseiam na consciência da desgraça e desonra como forma de controle judicial, político, religioso e social.

Em algum lugar da História, ou do passado, o constrangimento deixou de ser um sentimento característico da cultura brasileira e, especialmente, de sua vida pública. Se um dia fomos o país dos sem-camisa, dos sem-dentes, hoje somos – quem sabe – um povo que perdeu a vergonha.

Culpa e vergonha estão presentes, com grande intensidade, em várias culturas. Executivos e políticos japoneses, por exemplo, cumprem penitência pública diante do menor desvio de conduta. Em 2007, o ministro da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, Toshikatsu Matsuoka, se suicidou após ter sido envolvido em um escândalo por suposta malversação de fundos públicos. Em Crime e Castigo, Dostoievski conta a saga de Raskólnikov. O assassino sente grande culpa pelo crime que cometeu. Ao confessar, desvenda um mistério que a polícia não conseguira resolver e livra-se da grande culpa que carregava.

Com suas cores sombrias, o pintor espanhol Francisco Goya pôs de costas o personagem que se envergonhava “Por haber nacido en otra parte”. E mesmo no Brasil, há exatos 81 anos, o deputado Adolfo Bergamini teve sua carreira política prejudicada por denúncias de corrupção. Hoje, circularia com desenvoltura pelo Congresso Nacional.

A classe política brasileira – como um todo — perde, primeiro, a vergonha. O cargo se perde depois. Mas isso só ocorre com alguns. O ex-ministro dos Esportes Orlando Silva, por exemplo, negava as acusações do PM João Dias. Mas era muito mais enfático ao dizer que não encontrariam provas contra ele. Devia se orgulhar muito por não deixar rastros. Silva entra para a lista de cinco ministros – Antonio Palocci (Casa Civil), Pedro Novais (Turismo), Wagner Rossi (Agricultura) e Alfredo Nascimento (Transportes) são os outros – que foram “saídos” do Governo por denúncias de irregularidades. Todos disseram que aproveitariam o afastamento para provar a inocência. Não se tem notícias de que as investigações tenham avançado. Uma vergonha.

Quem não se constrange diante da desonra sofre de alguma patologia. No livro O crisântemo e a espada, Ruth Benedict identifica a cultura da vergonha – presente no povo japonês – “que se impõe por uma forte identificação entre ponderação e dignidade, além das sanções externas que ratificam a honra e a dignidade individuais”. Já a cultura da culpa – e dá como exemplo os Estados Unidos – “asseguraria a retidão do comportamento pela interiorização de uma ideia de pecado e reação à crítica dos demais, uma plateia que julga e avalia”.

Por mais estranho que se possa supor, parece que o senador Fernando Collor perdeu muitas coisas – o cargo de presidente e os direitos políticos por oito anos – desde o impeachment, mas manteve a vergonha. Que outro sentimento explicaria seu esforço hercúleo em defender o sigilo eterno de documentos públicos? Collor acabou derrotado – mais uma vez – há poucos dias e o prazo máximo para que as informações do Governo sejam mantidas em sigilo será de 50 anos. Vivamos todos, nós e ele (com um “L” só) para sabermos os segredos que marcaram aqueles dias de desgoverno no início dos anos 90.

Já o presidente do Senado não carrega o sentimento no helicóptero da PM do Maranhão que utiliza em seus passeios à ilha em Cururupu onde tem uma casa. Flagrado no erro – ao lado um empresário que tem contratos milionários naquele estado – José Sarney afirmou, sem qualquer pudor, que o gesto era “uma vitória da democracia”.

Muitos estudos se fizeram sobre vergonha, culpa e embaraço como reguladores da moral. Um conjunto de ideias e comportamentos – baseados na consciência de desgraça, desonra como forma de controle judicial, político, religioso e social. O respeitado educador e terapeuta norte-americano John Bradshaw classifica a vergonha como a “emoção que nos deixa saber que somos finitos”. Filho de pai alcoólatra, ele teve essa noção ainda criança.

A patologia brasileira é que os que detêm o poder – seja ele econômico ou político – se “desresponsabilizam” por um ato desonroso. Cabe a nós o amargo sentimento de “vergonha alheia”.

Os royalties e a ‘maldição da riqueza’

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Por Hugo Souza – opiniaoenoticia.com.br

Estudo mostra que, em vez de melhorias na infraestrutura, saúde e educação, dinheiro do pré-sal se esvai em burocracia e corrupção.

O Senado federal aprovou na semana passada o projeto que prevê a redistribuição dos royalties da camada pré-sal para todos os estados e municípios do Brasil, diminuindo a porcentagem dos recursos destinados aos estados e municípios produtores.

A decisão desencadeou uma choradeira generalizada entre políticos fluminenses e capixadas, sobretudo. Choram, na verdade, desde a aprovação na Câmara em maio do ano passado da chamada emenda Ibsen, que previa uma drástica mudança na forma de divisão dos recursos provenientes da exploração de petróleo no Brasil.

Naquela feita, o governador do Rio da Janeiro, Sergio Cabral, chorou literalmente ao falar sobre a emenda — que acabaria vetada pelo então presidente Lula — em um evento na PUC-Rio, revoltado com a possibilidade de perda de arrecadação para o estado.

Chorou, porém, lágrimas de crocodilo, tendo em vista que o motivo alegado para o berreiro, ou seja, o de que a população fluminense seria gravemente penalizada em caso de redistribuição dos royalties do petróleo, não resiste, para usar uma palavra cara ao governo do Rio, a um leve “choque” de realidade.

Campos de petróleo e de pobreza

Um estudo do Departamento de Economia da Universidade Estadual Paulista mostrou que, por maiores que sejam os recursos provenientes da exploração de petróleo, eles não necessariamente se traduzem em melhores condições de vida para a população. Ao contrário: no fim das contas, lá no fim, o destino de tanta riqueza é financiar o inchaço da administração estatal e encher o bolso dos corruptos. Talvez esteja aqui o motivo de tanto desespero de políticos dos estados produtores quando se veem obrigados a dividir o dinheiro da farra com terceiros.

O destino de tanta riqueza é financiar o inchaço da administração estatal e encher o bolso dos corruptos. (Ilustração/Alviño)

O maior exemplo disso vem exatamente da cidade brasileira que mais recebeu dinheiro do petróleo em toda a história: Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro, para onde foram mais de R$ 1 bilhão em royalties em 2010 e onde os recursos do pré-sal representam cerca de 70% do orçamento municipal. Lá, a destinação prioritária dos recursos do petróleo não é a saúde, tampouco a educação, muito menos a cultura ou projetos de habitação, ou qualquer esforço para melhorar a qualidade de vida da população local ou a infraestrutura.

Lá, no feudo da família Garotinho, os recursos do petróleo se esvaem em ações de cunho eleitoreiro e em destinações, digamos, ainda menos ortodoxas. Desde 2004 a prefeitura de Campos gastou cerca de R$ 18 milhões em convênios com quatro hospitais da cidade, mas o número de internações se manteve o mesmo, bem como o índice de desenvolvimento humano da cidade permanece em níveis pífios.

E como será no Piauí?

Ou será que foi mesmo em defesa do povo que Rosinha Garotinho, a prefeita cassada de Campos que se mantém no cargo por liminar, e seu consorte promoveram no último dia 17 de outubro uma manifestação na Cinelândia, no centro do Rio, debaixo de chuva, para protestar contra o compartilhamento dos royalties do pré-sal com os estados e municípios não-produtores?

“Em cidades como Campos dos Goytacazes, criou-se uma maldição da riqueza. Esse dinheiro foi gasto com a máquina pública e não trouxe desenvolvimento. Com essa distribuição dos recursos do pré-sal que está sendo discutida, certamente também não traremos desenvolvimento”, disse o coordenador do estudo da Unesp, Claudio Paiva, ao portal Terra.

Mas, no Rio, já há quem diga que, diante do sorvedouro político local dos recursos do petróleo, talvez seja de fato melhor dividir os royalties do pré-sal com outros estados.

Estados como o Piauí, o mais pobre do Brasil, que deve receber R$ 15 milhões em royalties do pré-sal já em 2012. O governador do estado, Wilson Martins, garantiu: “nossa prioridade de investimento é saúde, educação e segurança. Sem dúvidas a população vai sentir o impacto dessas mudanças”.

O jogo pesado dos Bancos

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Lembro de um tempo em que, para retirar dinheiro da conta bancária era preciso comparecer à agência e apresentar no balcão de atendimento um cheque no valor a ser sacado. O funcionário ia até uma caixinha (mais ou menos como é ainda hoje nos nossos retrógrados cartórios de registros de títulos e documentos) e conferia a assinatura. Depois, ia até outra caixinha e anotava na ficha pessoal do correntista o valor do cheque que seria pago no caixa, mais ou menos por ordem de chegada. Se não era bem assim era algo muito parecido.

Hoje, vai-se muito menos às agências bancárias. Não há por que fazê-lo, graças aos débitos em conta, aos caixas eletrônicos, aos cartões de crédito e às operações seguras através da internet. Tentei descobrir o reflexo desses avanços tecnológicos nos quadros de pessoal do sistema bancário nacional. Não encontrei algo atualizado, mas identifiquei que o grande impacto ocorreu nos anos 90 e implicou em cerca de 400 mil postos de trabalho fechados, equivalendo a cerca de 50% do total do setor.

Até aí nada de mais. Se a preservação de métodos atrasados e dispendiosos para garantir empregos fosse coisa boa, a regressão a métodos ainda mais superados e onerosos seria ainda melhor. Voltaríamos ao artesanato e à agricultura de subsistência. A um passo da pedra lascada e do tacape. O combate às modernas tecnologias é das coisas mais retrógradas e vãs que se possa conceber.

Mas há alguns probleminhas que estão a exigir reflexão da sociedade sobre o nosso sistema bancário. Todos os admiráveis avanços tecnológicos dos bancos brasileiros se refletiram em custos para os correntistas e em aumento dos lucros das instituições para percentuais sem comparação nos quadros internacionais. E sem qualquer repercussão nos padrões sociais dos funcionários remanescentes. Isso está errado e não aconteceria se o sistema financeiro nacional não contasse, em suas prerrogativas, com o elevado patrocínio do Estado brasileiro. Não basta fiscalizar o sistema para que ele se mantenha sadio. É preciso controlar sua ganância para proteção dos consumidores dos serviços bancários. E para benefício dos funcionários.

Sei, sei porque conheço, o nível de estresse a que as demandas de produtividade levam os bancários, não raro constrangidos, para além de suas atividades rotineiras, a atingirem metas em corretagem de seguros, vendas de serviços e de aplicações das instituições. Não sou contra indicadores de eficiência, gestão por metas e aumentos de produtividade. Mas o que acontece no sistema bancário ultrapassa todas as medidas quando confrontado, por outro lado, com indicadores de respeito à pessoa humana.

Não saciados com os juros cobrados, os bancos ainda se regalam com as escandalosas taxas que aplicam aos serviços. Recentemente circulou na rede um texto assemelhando a conduta dessas instituições a uma padaria que, sobre o preço do pão que fornecesse, ainda fizesse o cliente pagar pela existência da padaria, pela abertura das portas, pelo acesso ao pão, pelo embrulho do pão e por aí afora.

A recente greve dos bancários, prolongada por mais de mês, foi um ato de desrespeito dos banqueiros para com seus funcionários e clientes. A indispensabilidade dos serviços que prestam é privilégio desse ramo de atividade, mas não é motivo para as explorações que promovem ao longo de sua cadeia produtiva.

Por U$ 150 mi, voce poderá ter uma casa no mar que ainda navega

terça-feira, 25 de outubro de 2011
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O WHY tem capacidade para 12 passageiros e 20 tripulantes

Amigos, o WHY — Wally Hermès Yacht — deve ser o novo sonho de consumo de todos os bilionários russos que se prezam. Um iate que é uma imensa e confortável casa, a deslizar suavemente mar afora, e além do mais produto da união do design chique da grife francesa Hermès com a tecnologia náutica da Wally, de Mônaco.

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O Wally Hermés Yacht usa energia verde, com 20 a 30% de economia de combustível e consumo de eletricidade 40 a 50% a bordo. São 900 m2 de painéis solares, produzindo diariamente 500 kW.

Esse peculiaríssimo iate conta com uma tecnologia sustentável, e alia conforto e estabilidade. O Wally Hermès Yatchs 58×38 nasceu da ideia de criar uma ilha flutuante, plena de espaço, conforto e requinte — com o toque politicamente correto, num projeto miliardário, de também ter “sustentabilidade do ponto de vista energético”.

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Projeto delirante, quase inacreditável: três plataformas, piscina de 25 metros, spa, heliponto, sauna, ginásio e sala de massagem, um passeio de 130 metros, sala de música, sala de jantar, cinema, decks de madeira, suítes, terraços, um lounge. Ufff…

“Esperamos abrir um novo caminho, oferecer um novo estilo de vida, que é diferente, sereno, contemplativo e que respeita o entretenimento, movendo-se devagar pela água, combinando o prazer de navegar com um conforto absoluto. O WHY é a união de nossos sonhos, um caminho verde que nos leva para longe”, afirma Pierre-Alexis Dumas, diretor artístico da Hermès.

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Parque do grande deck com espreguiçadeiras. Os pavimentos são ligados por escadas, mas há também um elevador

O casco é inusualmente triangular, com 3.400 metros quadrados de espaço, tem volumes interiores e exteriores semelhantes aos de uma casa, é estável mesmo em pleno andamento e tem uma velocidade de cruzeiro ideal de apenas 12 nós.

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Com um salão espaçoso, no andar inferior estão o “lounge”, o piano bar e a sala de jantar

O WHY é ainda um projeto, mas há um protótipo para que os interessados possam conhecê-lo. O investimento, para aquisição, é de cerca de 150 milhões de dólares. Moleza para bilionário russo.

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A vista para o mar está presente em todos os cômodos

Especificações:

Comprimento: 58 metros

Metros quadrados de áreas de convivência: 3.400

Velocidade de cruzeiro: 12 nós (aproximadamente 22 km/h)

Velocidade máxima: 14 nós (perto de 26 km/h)

Energia renovável produzida: 500 kWH/dia

Economia anual de combustível: 160 mil litros

 

 

TV pode retardar desenvolvimento de crianças

domingo, 23 de outubro de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Assistir televisão ou vídeos não é recomendável para crianças com menos de dois anos, afirma um grupo de pediatras norte-americanos.  De acordo com pesquisas realizadas, a prática pode afetar o desenvolvimento do bebê.

Leia também: A importância do diagnóstico em crianças com doenças cardíacas

A recomendação é para que os pais falem com a criança e estimulem para que brinquem de forma independente. A orientação é da primeira diretriz divulgada em mais de uma década pela Academia Americana de Pediatria (AAP, em inglês).

O Estudo segue o mesmo conselho emitido em 1999 pela maior associação de pediatras, no entanto, a pesquisa adverte que o comportamento dos pais em relação a televisão pode retardar a capacidade de fala dos seus  filhos.

O grupo, em convenção anual em Boston, reafirmou que os meios de comunicação tanto em primeiro como em segundo plano, tem um efeito potencialmente negativo e nenhum efeito positivo conhecido para crianças menores de dois anos.

Segundo o pediatra Ari Brown, a atualização da pesquisa era fundamental devido ao aumento dos lançamentos de vídeos, DVDs e programas segmentados para crianças dessa faixa etária: “Nós sentimos que era hora de revisitar esta questão, porque as telas de vídeo estão em toda parte agora, e a mensagem é muito mais relevante hoje do que era há uma década”, disse o Dr. Ari Brown.

A pesquisou indicou ainda que cerca de 90% dos pais entrevistados afirmam que seus filhos veem algum tipo de meio de comunicação eletrônica. O estudo mostra que as crianças aprendem com mais eficiência a partir de interações reais – com as pessoas e coisas – do que de situações que aparecem nas telas de vídeo.

A AAP afirma que é importante que os pais tenham consciência do quanto estão distraídos quando a televisão está ligada, o que interfere diretamente na interação com os seus filhos. A pesquisa diz que se uma criança brinca em frente à televisão ela olhará o aparelho – quando estiver ligado – ao menos três vezes por minuto.

“Quando a televisão está ligada, os pais falam menos com seus filhos. Há alguma evidência científica que mostra que quanto menos tempo se dedica a uma criança, mais pobre é sua linguagem”, informou a APP.

Para a Academia, nem os vídeos educativos que indicam conteúdo específico para esse público são benéficos, já que as crianças nesta idade não assimilam as informações.

“Um espaço de brincadeiras livre é mais valioso para o desenvolvimento cerebral do que qualquer exposição a meios de comunicação eletrônicos”, concluiu a Academia Americana de Pediatria

Animais de estimação cada vez mais “humanizados”

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

 

Por Priscila Fagundes – opiniaoenoticia.com.br

Shampoo e sabonete com ouro 18K, fragrâncias inspiradas nos produtos da marca Victoria’s Secret e água com poder rejuvenescedor são algumas das novidades do setor.  
 
Produtos luxuosos e inovadores estão sendo cada vez mais requisitados por brasileiros donos de animais de estimação. É um novo filão de mercado que vem crescendo a cada ano. Os mimos vêm de todos os lados, desde roupas de grife a banhos (muito) especiais.

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação (Anfalpet), o setor movimentou cerca de R$ 11 bilhões em 2010. O Brasil tem atualmente mais de um animal de estimação para cada dois habitantes, o que significa um total de cerca de 98 milhões de bichinhos espalhados por lares de todo o país.

Como esse público, ou melhor, seus donos são exigentes, não param de surgir novidades no mercado, incluindo banhos especiais, como, por exemplo, hidratação de chocolate para os pelos, brinquedos importados, produtos de higiene e beleza, camas dos mais diversos modelos e tipos e roupas de grife. São acessórios que entram na despesa mensal dos brasileiros que não conseguem deixar de paparicar seus “melhores amigos”.

Em entrevista ao Uol, a gerente de marketing de uma grande loja de animais de estimação explica que a compra desses acessórios não é planejada, e sim feita por impulso. Um levantamento feito pela consultoria GS&MD revelou que já existem mais de 25 mil pet shops em todo o Brasil. Apenas em São Paulo, por exemplo, já há mais de 4 mil estabelecimentos deste tipo, que oferecem os mais diversos produtos e serviços, incluindo planos de saúde.

A nova Coca-Cola?

As lojas também vêm apostando no chamado “comércio de luxo” para animais. São vendidos produtos como ofurôs para cães e bolas que escovam os dentes dos animais. Tudo para deixar o bichinho o mais confortável possível.

As mais recentes novidades e produtos ainda inéditos no mercado estão sendo apresentados nesta semana na 10º edição da Pet South America, a principal feira do setor na América Latina, que aconteceu até esta quinta-feira, 20, em São Paulo.

Entre os lançamentos estão shampoo (cerca de R$ 40 por um frasco de 500 ml) e sabonete com ouro 18k, máscaras hidratantes, hidratação com vinhoterapia, fragrâncias inspiradas nos mundialmente famosos produtos da marca Victoria’s Secret, água com poder rejuvenescedor para cães e gatos, florais, acupuntura, rações feitas com ingredientes naturais, entre inúmeros outros luxos para os bichos de estimação.

André Lobato, dono da Amazon Pet Water, a “água que trará saúde e longevidade para seu melhor amigo”, disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que essa novidade pode ser comparada “com o lançamento da Coca-Cola”. O preço sugerido para venda ao consumidor é de R$ 3,50 por garrafa de 500 ml.

Animais ganham nome e sobrenome

Exageros — ou não — à parte, diante de tantas novidades e do grande crescimento do setor, o processo de humanização dos bichinhos de estimação vem ganhando cada vez mais força e espaço entre os brasileiros.

“Mais do que um mercado em crescimento, esse é um mercado em fase de maturação”, explica Luiz Goes, sócio e diretor da GS&MD no site da consultoria: “o consumidor tem laços cada vez mais fortes com o animal: virou um integrante da família, está comendo melhor, indo mais ao veterinário e recebendo mais mimos”.

Já tem até dono registrando seus animais de estimação em cartório para oficializar a relação familiar, digamos assim. A certidão de nascimento identifica o animal por nome e sobrenome e traz ainda o nome dos donos, dos avós (humanos) e também dos padrinhos. O serviço foi criado há cerca de um mês e pode ser solicitado através do site Seu Pet com Sobrenome. O documento, oficial, custa R$ 98, fora o frete. Há ainda opções de certidão de batismo, casamento, óbito e até mesmo testamento.

 

Invenção genial: um notebook que funciona só com água e luz solar

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Por Ricardo Setti – http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/

 

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Computador verde, que usa o mecanismo das plantas para adquirir sua energia da água e da energia solar (Foto: Divulgação)

Vejam que invenção sensacional é o Plantbook, criado por dois pesquisadores sul-coreanos: um notebook literalmente verde, porque, além da cor, utiliza energia solar e água para gerar a energia elétrica que o faz funcionar.

plant-book-3Um computador literalmente verde
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Inspirado na capacidade de absorção de água do bambu, sua bateria é carregada apenas com o hidrogênio, um dos componentes da água, e luz solar, como se estivesse fazendo fotossíntese, o processo realizado pelas plantas para a produção de energia necessária a sua sobrevivência. 

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Ao contato da bateria com a água segue-se o processo de fotossíntese: uma vez checada a carga e verificada a necessidade de energia, vêm os passos: 1) absorção da água; 2) a eletrólise; 3) extração do hidrogênio; 4) produção da eletricidade, e 5) a liberação do oxigênio

plant-book-4Mecanismo da bateria, pela ordem dos termos em inglês: as células de energia solar; a tomada para receber o plug do notebook; a área por onde a bateria libera oxigênio; na outra extremidade da bateria, por onde a água penetra

Os dois inventores e designers, Seunggi Baek e Hyerim KimThe, explicam o mecanismo, simples e genial:

“O sistema usa um recipiente externo de água, já que o Plantbook , uma vez mergulhado na água, a absorve continuamente, e gera eletrólise usando energia armazenada numa placa fotovoltaica [que guarda energia solar] instalada em uma das pontas. No curso do processo, o notebook é operado usando o hidrogênio [cujos átomos são presentes na água] como fonte de energia e descarta oxigênio [o outro elemento químico constitutivo da água].”

“Se o usuário coloca a bateria num recipiente com água enquanto não usa o laptop, a bateria é carregada automaticamente e, ao mesmo tempo, libera oxigênio. Uma correia de silicone com formato de folha, instalada na ponta da bateria, serve como alça para conduzi-la e, ao mesmo tempo, indica, por meio de uma luz verde, seu nível de carga.”

plant-book-6A alça de silicone em forma de folha avisa quando a bateria está carregada

Este notebook é ecológico por natureza: não utiliza energia elétrica gerada por fontes poluidoras, e ainda libera oxigênio na atmosfera.

Que tal?

plant-book-1Simples assim — e muito bonito, ainda por cima

A censura não existe, mas vem de todos os lados

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Alguns acreditam que a censura no Brasil esteja morta e enterrada pela Constituição de 1988. Este estranho hábito de usar a tesoura e decidir o que os outros podem ler, assistir ou consumir já teve seus tempos áureos – se é que podemos compará-los com o ouro – nos anos de chumbo, mas ainda persiste em episódios cada vez mais frequentes de nosso cotidiano.

A censura teve sua “musa” no período mais triste da ditadura militar.  Solange Teixeira Hernandes aparecia antes de cada programa de televisão ou filme, com carimbo e assinatura, liberando ou proibindo a exibição de milhares de obras intelectuais. A chefe da Divisão de Censura de Diversões Públicas era uma campeã de audiência entre 1980 e 1984 e comandava 279 funcionários espalhados pelo país. Logo que deixou o cargo, substituída por Coreolano de Loyola Cabral Fagundes, o nome dela foi também o mais ouvido no rádio quando Leo Jaime teve a ideia de fazer a versão brasileira de “So lonely” – do The Police – com a debochada, e não casual, “Solange”.

Hoje uma senhorinha septuagenária, Solange Hernandes vive em Ribeirão Preto – a exatos 715 quilômetros de Brasília – e atende pelo nome de solteira, Solange Maria Chaves Teixeira. Ela nunca fala com a imprensa e nem entrou pro Guiness: embora tenha vetado 1.168 letras de música. Assim como o ex-presidente João Figueiredo que pronunciou a famosa “Quero que me esqueçam”, Solange deve desejar o mesmo todos os dias.

Ocorre que recentes episódios sempre nos trazem a censura – e a censora de volta. O Opinião e Notícia pode falar à vontade das investigações da Polícia Federal sobre a suspeitíssima Operação Faktor – ou Boi Barrica – que envolveu o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José idem.  Já o jornal O Estado de São Paulo e seu portal Estadão estão impedidos por determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Um pedido do senador ao desembargador Dácio Vieira acabou “censurando” o jornalão e aplicando multa de R$ 150 mil por matéria publicada sobre o assunto ou por “violação do comando judicial” – como prefere o magistrado.

Por causa de uma calcinha, Iriny Lopes – é preciso que a apresente – ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, representou contra o anunciante Hope por utilizar a escultural Gisele Bündchen – que dispensa apresentações – numa campanha de publicidade. Até o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) – que tem exacerbado o seu poder de somente regulamentar – surpreendeu ao não penalizar o anúncio. Depois de dizer que o filme “promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como mero objeto sexual de seu marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas”, dona Iriny encerrou sua demanda com a frase: “No caso Gisele, a censurada fui eu”. E a Hope agradece o arroubo ministerial: nunca vendeu tanta calcinha!

Mais que infeliz ao fazer comentário sobre a cantora Wanessa Camargo e o filho dela que sequer nasceu ainda, o humorista Rafinha Bastos foi afastado da bancada do programa CQC pela direção da TV Bandeirantes. Ofendida, a artista entrou com ação por danos morais e um pedido de indenização de R$ 100 mil. Até aí nada de mais. O que assusta é que tenha sido Ronaldo Fenômeno quem pediu o afastamento do boquirroto apresentador.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho defende um projeto de regulação da mídia – garranchado pelo PT – e afirma que veículos de comunicação sérios não têm motivos para temer o assunto. Ou é amigo do Sarney ou não sabe o que aconteceu com o Estadão – ou os dois. E mais, se considerarmos que 271 políticos brasileiros são donos de emissoras de rádio ou de TV, fica muito difícil definir o que é um “veículo sério” pra Carvalho.

Por Claudio Carneiro – opiniaoenoticia.com.br

Numa sociedade que se propõe democrática, não são necessários tantos mecanismos de controle – ou censura – principalmente vindos de sarneys, ronaldos e irinys travestidos de solanges. O cidadão/consumidor/espectador/eleitor tem no controle remoto e no voto eletrônico, por exemplo, a ferramenta de escolha tirando do Governo, dos partidos, dos políticos e dos que se julgam poderosos o ímpeto de fazer valer suas próprias vontades. Alegar a melhor das intenções para ressuscitar o pior é o que merece censura.

O Llismo amordaçou o Brasil

domingo, 16 de outubro de 2011

Por Percival Puggina 
 
É preciso reconhecer. A mitificação de Lula no nível que alcançou só poderia ocorrer mediante o invulgar conjunto de circunstâncias que alia características pessoais do líder; notáveis estratégias de poder e de comunicação social; circunstâncias internacionais favoráveis à economia brasileira; manutenção, durante boa parte de seu governo, das políticas de responsabilidade fiscal iniciadas com Itamar Franco; dotação de significativos recursos para o programa Bolsa Família; simpatia internacional ao perfil do “operário no poder cuidando dos pobres”. E por aí vai.

Oitenta e tantos por cento de aprovação no mercado interno, a condição de celebridade internacional e a louvação da mídia mundial compõem um irresistível quadro de mitificação que colocam Lula num altar onde só se pode depositar flores. Critique quem quiser no país, mas não faça isso com Lula. Pega muito mal e retira de você credibilidade para qualquer outra coisa que pretenda dizer. É inútil mostrar que o governo petista se encaminha para fechar uma década com o país ostentando os piores indicadores, seja entre os membros do BRIC, seja entre nossos vizinhos da América Ibérica: a economia que menos cresce, a maior taxa de juros, a menor taxa de investimento, a maior inflação e a maior carga tributária. E as funções essenciais do governo (Educação, Saúde, Segurança e Infraestrutura) numa precariedade que ninguém, em sã consciência, deixará de reconhecer. São afirmações inúteis. Tudo se passa como se, depois de oito anos no poder, Lula nada tivesse a ver com isso. A ele, apenas créditos.

No entanto, há débitos pesados na conta do lulismo instilado ao país. Em artigos anteriores, tenho afirmado que a política exige senso de realidade, que os bons estadistas são pessoas realistas, são pessoas afastadas de utopias e devaneios e interessadas em respostas corretas para duas interrogações essenciais: qual é o problema? qual é a solução? Nesse sentido, reconheça-se, ao romper com os delírios esquerdistas do PT, Lula conseguiu acertos e afastou-se de muitos erros. Mas na política, o realismo de Lula tornou-se cínico, desprovido de restrições de ordem moral. Abrigou à sombra do poder as piores figuras da política nacional. Não apenas as acolheu. Foi buscá-las para compor a base do governo. Entregou-lhes poder, cargos, fatias do orçamento e poderosas empresas estatais. Teve olhos cegos e ouvidos moucos para as patifarias que proliferaram do topo à base da pirâmide do governo. Seu partido, quando na oposição, brandia indignações morais, pedia CPI para carrocinha de cachorro quente e levantava suspeições sobre a honra de quem se interpusesse no seu caminho. No poder, foi o que se viu, o que ainda hoje se vê, e o quanto já veio à superfície nos primeiros meses da presidente Dilma, sob silêncio conivente das instrumentalizadas organizações sociais cuja boca foi emudecida por cargos e recursos públicos.

A corrupção, casada em união estável e comunhão de bens com a impunidade, alcançou níveis sem precedentes. Estudo da Fiesp adverte para o fato de que ela consome algo entre 1,4% a 2,3% do PIB e custa cerca de R$ 69 bilhões nas contas da gatunagem fechadas a cada réveillon. A nação chegou ao fastio e à náusea dos escândalos de cada dia. Há uma indignação silenciosa. Ensaiam-se mobilizações de repulsa à corrupção. Mas elas são escassas, pequenas e de utilidade duvidosa. Por quê? Porque a corrupção pode ter filiais até na mais miserável prefeitura do país, mas a matriz está onde está a grana grossa, no poder central da República, para onde convergem todos os cargos, todas as canetas pesadas, todas as decisões financeiras, todos os contratos realmente significativos. E 23% do PIB nacional. O resto é resto.

Mas não há como apontar o dedo nessa direção sem atingir em cheio o peito de quem, durante oito anos, desempenhou a mesma função de seus antecessores. E a estes, Lula, seu partido e fieis seguidores, sistematicamente, responsabilizavam por toda desonestidade existente no país. Quem quer que sentasse para governar, logo vinha o “Fora Collor”, o “Fora Sarney”, o “Fora FHC”. Alguém sabe me dizer por que, de repente, a corrupção não tem nome próprio nem governo definido? Eu sei. O lulismo amordaçou a moralidade nacional.

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* Percival Puggina (66) é titular do blog www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

 

Jaula para bebês, arma de cano curvo e outras invenções inúteis

domingo, 9 de outubro de 2011

A jaula para bebês, 1937

As jaulas de metal foram distribuídas a membros do Clube do Bebê de Chelsea, em Londres que não tinham jardins ou escrúpulos de colocar uma criança em uma caixa pendurada acima de uma rua movimentada. É desnecessário dizer que elas não deslancharam como mecanismo para o cuidado infantil.

Segurador de bebê, 1937

Jack Milford (direita), jogador do Monarcas de Wembley, time de hóquei no gelo, inventou um mecanismo para que seu bebê pudesse se juntar a ele e à mulher na pista de gelo. Quem não gostaria de levar algo tão frágil quanto um bebê a uma superfície dura como pedra e com pouquíssima fricção?

Refreador de cachorro, 1940

Isso não é mais encontrado em pet shops.

Sutiãs de taça, 1949

Charles L. Langs posa com sua criação, os sutiãs sem alça, sem parte de trás, sem fio e sem suporte. Sua mulher parece desconfiada.

Arma de cano encurvado, 1953

Essa sub-metralhadora M3 tinha um cano curvado permitindo que se atire em esquinas. É a arma perfeita para aquele cara que gosta de “atirar primeiro e ver no que está atirando depois”.

Piteira para dias de chuva, 1954

O presidente da empresa Zeus Corp., Robert L. Stern, fuma um cigarro com a piteira para dias de chuva que ele próprio desenhou.

Pneus iluminados, 1961

Uma mulher ajeita sua meia-calça à luz dos pneus iluminados da Goodyear. O pneu é feito de um material de borracha sintética e é acesso por bulbos montados dentro do aro da roda.

Forno externo para assar peru, 1966

Você quer realmente causar uma boa impressão com a família do seu marido nesse Dia de Ação de Graças? Tente desenterrar um desses no eBay.

Seios com batimento cardíaco, 1963

Um par de seios artificiais com um batimento cardíaco interno, uma invenção do Japão, voltada para ajudar crianças muito pequenas a dormir.

Bolsa anti-bandido, 1963

O inventor John H. T. Rinfret faz uma demonstração da bolsa anti-bandido. Para evitar ladrões a corrente é puxada e o fundo da pasta cai, espalhando o conteúdo. Isso vai impedir os ladrões de levarem o seu dinheiro! Não, espera. Não vai.

Eletromedidor de Hubbard, 1968

O escritor de ficção científica americano e fundador da Igreja de Cientologia L. Ron Hubbard usa seu eletromedidor para determinar se tomates sentem dor. Seu trabalho o levou a conclusão de que tomates “gritam ao serem cortados”.

Capuz de banho, 1970

Para a mulher que não gosta de lavar do rosto a maquiagem. O conceito na verdade tem algum mérito, mas o capuz de plastico simplesmente não fez sucesso com as mulheres.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A vergonha alheia

sábado, 8 de outubro de 2011

Por JC Bolognese

No dia 12 de outubro atingimos a incrível, inaceitável e injustificável marca de 5 anos e meio de um covarde e arbitrário calote em nossa aposentadoria. Mas, falar em perda de de poupança e pensão é muito pouco, pois esses termos, por mais que se esforcem, não podem definir o que é passar a vida trabalhando, atento ao passar dos anos, poupando para um futuro um pouco menos incerto e descobri-lo comprometido pela irresponsabilidade de terceiros.

Aposentar-se de um emprego de muitos anos não significa retirar-se da vida. Ao contrário, poderiam ser os melhores da vida de um trabalhador se o trato fosse feito com gente séria. Contudo, da maneira como são tratados os aposentados nesse país, parece ser o sonho dourado de todos os governantes brasileiros, senão mesmo uma política de estado, ver o trabalhador ser extinto junto com seu emprego.

Não é incomum uma pessoa em situação como a nossa, remexer o passado e se perguntar com algum embaraço, se fez algo de errado. Com vergonha até, perguntar-se, se contribuiu para o seu sofrimento e o dos familiares. Mas não é preciso ir muito longe para descobrir que se há uma vergonha aí, ela não lhe pertence. É uma vergonha alheia, criada por mentes que não abrigam esse sentimento.

 Desde o começo – antes e depois do fim da Varig – os fatos que contam são:

1)      Um fundo de pensão privado foi criado para complementar as aposentadorias dos trabalhadores na aviação.

2)      A estrutura jurídica do Aerus foi baseada em leis vigentes no país – e não comprada em uma banca de camelô.

3)      Os funcionários das empresas pagaram religiosamente a sua parte no contrato.

Nada disto foi defendido, fiscalizado ou protegido pelo estado como era sua obrigação. Daí, a trágica situação em que se encontram os aposentados do Aerus até este mês de outubro de 2011. Sem esquecer os demitidos e os familiares dos mais de 580 que faleceram se ver solução alguma.

Quando reclamamos nossa aposentadoria de volta, não damos a ninguém o direito de duvidar que seja legítima. Nós realmente pagamos parte de nossos salários segundo um modelo instituído dentro de perfeitos marcos legais.
Assim como uma mentira não vira verdade só por ser muito repetida, uma verdade não vira um delírio só porque sua repetição incomoda.

Eu também concordo com o ministro do STF quando ele fala de uma emenda que pode tornar a justiça não apenas mais ágil, mas… muito mais ágil. Concordar é uma coisa. Acreditar porém, é bem outra. Em que mundo vive essa gente que sempre, ao ser questionada, declara-se comprometida com os mais profundos interesses sociais, mas não consegue ou não se esforça para ir do discurso à prática? Das autoridades aceitaria com prazer se, ao declararem suas boas intenções, estivessem sinceramente compreendendo que nós, ao falarmos do calote em nossa aposentadoria, estamos falando em termos muito reais, que nos faltam recursos para pagar um plano de saúde. Em vez de declarações genéricas sobre princípios republicanos, geralmente desprezados no mundo real, preferia que um ministro, uma autoridade dessas, perguntasse como é que a gente faz pra viver. De que forma vivemos o problema de não poder ir ao dentista quando um dente dói. Quando e como compramos um par de óculos novos porque o nosso quebrou ou ficou defasado. Se temos acesso ao lazer e, se ele, como às demais pessoas, faz falta. 

De minha parte quero deixar bem claro que não serei grato a nenhuma autoridade, pois ao virem com uma solução para o Aerus, depois de tantos anos sabendo o que essa demora acarretou, não vão pensar por certo naqueles aos quais ela não alcançou. Serei grato apenas a Deus e aos colegas que realmente se empenharam desde o começo para reparar um injustiça histórica. Às autoridades concederei apenas os cumprimentos por terem afinal enxergado a luz da razão.

A caminho do sexto Natal sem o nosso dinheiro, esperamos que essa luz ilumine essas autoridades dissipando as trevas da hipocrisia. E se mais este Natal for como os últimos cinco, quando passamos vergonha por não podermos estar como pessoas normais, vamos lembrar que é a vergonha dos outros que faltou se mostrar. A vergonha alheia.